Vacina contra Covid poderá proteger mais de 10 mil crianças em Catanduva

Muitas mães consultadas pelo jornal ainda estão reticentes quanto à imunização

Vacina contra Covid poderá proteger mais de 10 mil crianças em Catanduva

Foto: ARQUIVO PESSOAL - Vendedora Melissa, mãe de Miguel, está ansiosa para proteger o filho

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 18/12/2021

A liberação da vacina da Pfizer para o público infantil, anunciada na quinta-feira, 16, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) poderá contemplar mais de 10 mil crianças de 5 a 11 anos em Catanduva. O levantamento foi feito pelo Jornal O Regional, com base em dados do IBGE. A dose pediátrica equivale a um terço da usada em pessoas com mais de 12 anos. 

A decisão da agência de controle tomou como base estudo feito com 2.250 crianças, divididas em dois grupos. Dois terços tomaram vacina e um terço tomou placebo (substância que não tem efeito no organismo) em um esquema de duas doses, com intervalo de 21 dias. A pesquisa, segundo a Anvisa, comprovou que o imunizante é seguro e eficaz para esse público.

O Ministério da Saúde, no entanto, ainda não decidiu se vai comprar vacinas para crianças e diz apenas que analisará a decisão da Anvisa. O presidente Jair Bolsonaro (PL), em sua live semanal, disse que pediu o nome das pessoas que aprovaram a vacina para as crianças para divulgar. Em entrevistas, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, deu sinais de que não concorda.

A vendedora Melissa Moniere La Serra, mãe do Miguel, de 7 anos, diz que está ansiosa para a liberação do imunizante. “Eu sou completamente a favor, já queria saber data e quando posso levar o meu filho. Estou muito ansiosa para ser aprovado tudo isso e começar a vacinação. Meu filho é asmático, morro de medo, então o quanto antes puder vou leva-lo para se vacinar.”

A detetive particular Lucimara Carreão Desidera, embora com filhos já adultos, fez questão de se manifestar à reportagem – disse que essa é uma forma de contribuir para a conscientização das pessoas. Ela defende que a vacinação em massa é a solução necessária.

“A vacina é tudo que a gente tem, a gente sabe do valor da vacina. Graça a Deus que o Brasil é um país aberto para a vacina, não temos tanta gente resistindo. Tem que ser um trabalho de consciência para os pais para que eles realmente liberem as crianças para a vacinação. Num momento desse que a gente não tem mais onde se apegar, é Covid, H1N1, está complicado”.

ANALISANDO

Já a publicitária Lilian Curan de Oliveira, mãe do Felipe, 6 anos, e Rafael, de 1 ano e 8 meses, diz que ainda está cautelosa e analisando prós e contras. Ela e o marido, mais as duas crianças, tiveram Covid no final do ano passado e ficaram juntos em casa em isolamento no Natal e Ano Novo. “Meus dois filhos não tiveram quase nada, apenas uma febre baixa”, relembra.

A postura da auxiliar de enfermagem Daniele Ferri é semelhante. Seu filho Victor tem 7 anos. “Eu estou analisando ainda sobre a vacina, li relatos sobre reação que essa vacina pode trazer, eu particularmente tenho muito medo, então no momento estou analisando ainda”.

Outra que analisa o tema é Priscila Souza Oliveira, mãe em tempo integral da pequena Theodora, de apenas 1 ano e 5 meses, ainda fora do grupo apto à vacinação. “Ainda não tenho uma opinião formada, esperaria mais para poder analisar prós e contras na idade deles. Como são crianças, tudo ainda está em desenvolvimento, penso em observar e aguardar feedbacks de outros pais, embora a Pfizer seja a que eu tenho mais confiança e segurança”, declarou.

VACINÔMETRO

Dados do Vacinômetro apontam que Catanduva aplicou até o meio-dia de ontem, dia 17, 218.795 doses da vacina contra a Covid-19. Foram 98.322 na primeira dose e 92.382 aplicadas na segunda dose. A dose única totaliza 2.862 unidades e a de reforço 24.779 aplicações.