Suicídio faz mais vítimas entre jovens de 15 a 24 anos e idosos, alerta médica catanduvense

Quando a pessoa muda de comportamento é preciso ficar atento aos sinais

Suicídio faz mais vítimas entre jovens de 15 a 24 anos e idosos, alerta médica catanduvense

Foto: DIVULGAÇÃO - Médica ressalta que não se deve julgar, mas acolher, ouvir, oferecer o ombro amigo e principalmente estimular a busca por ajuda

Da Reportagem Local

A cada ano, 13 mil brasileiros se suicidam, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Adolescentes e jovens, na faixa etária dos 15 aos 24 anos, e os idosos são os mais suscetíveis a tirarem a própria vida, segundo a psiquiatra catanduvense Marina Toscano.

“Os jovens estão muito em risco. É algo que nos preocupa bastante. Também os idosos que chegam naquela fase da vida, de aposentadoria, de se sentirem inúteis, é uma faixa etária com muita incidência de suicídios”, afirma.

Entre a juventude as principais causas, de acordo com pesquisa da Fiocruz divulgada nesta sexta-feira, 10, são problemas familiares, brigas e rompimentos com namorados, bullying, pressão escolar e ataques virtuais sofridos em redes sociais.

Segundo a médica, quando a pessoa muda de comportamento é preciso ficar atento aos sinais. “Começa a ficar mais isolada, mais calada, mais quieta, a recusar convites para sair e ficar diferente. Passa a dizer com frequência frases como ‘a vida não vale a pena’, ‘nada do que eu faço é bom’, ‘não sei porque eu estou aqui’ e ‘acho que seria melhor estar morto’”, frisa Marina.

Para a especialista, quando a pessoa se expressa dessa forma está sinalizando que não quer mais viver, que está muito triste, para baixo, sem energia e mais depressiva. “Quando alguém fala em suicídio, no fundo está fazendo um apelo. Está dizendo, por favor, olhe para mim. Me ajude, porque não estou legal.”

O maior mito, na opinião da psiquiatra, é que a pessoa que quer se matar não fala, vai lá e faz. “Existem outros mitos como o que só se mata quem tem doença mental. Isso não é verdade. Algumas pessoas também podem se matar em situações de desespero, de perder um emprego, diante de uma dívida muito importante, de uma situação de vexame muito grande. E naquele impulso ela vai e comete o ato. Então não é só quem tem depressão ou um transtorno mental que tenta se matar”, acrescenta.

A médica destaca que é preciso evitar o julgamento. “Quando alguém falar sobre isso, aqueles julgamentos do tipo ‘você tem tudo, você tem uma família boa, você tem casa, tem gente que não tem nada’. Isso é péssimo, porque aí a pessoa se sente mais culpada ainda de estar daquela maneira”. Marina ressalta que não se deve julgar, mas acolher, ouvir, oferecer o ombro amigo e, principalmente, estimular a busca por ajuda para salvar vidas.

Não há um sexo com maior predominância para o suicídio, segundo Marina. “Tanto homens quanto mulheres estão no risco de suicídio. O que há é que nas mortes os homens, em geral, têm tentativas mais agressivas, cometem suicídio com formas mais letais, por isso que o número de óbitos dos homens acaba sendo superior”, pondera.

Conforme a médica, em geral, quando as pessoas chegam com ideias de suicídio já estão bem graves, num estágio mais avançado, ou de um quadro depressivo.

"A depressão é a maior doença causadora de pensamentos suicidas, ou de alguma outra doença, como transtorno bipolar, ou uma situação muito grande de desespero. Nesses casos, infelizmente, a gente não consegue só com a psicoterapia ou com aconselhamento proteger essa pessoa. Normalmente, a gente faz um esquema medicamentoso, avalia o caso, prescreve uma medicação e faz o acompanhamento de perto”, comenta.

E acrescenta que “quando existe um risco muito grande e a família não tem um contingente que possa estar por perto, possa dar o suporte, a gente acaba até internando, para preservar a vida dessa pessoa”.

A psiquiatra afirma que falar do suicídio não aumenta o risco de alguém se matar. “As pessoas falam não vamos falar sobre isso, não vamos perguntar para o nosso parente se está pensando nisso porque vai que ele se mata. Fale sobre, se você está pensando. E se está verificando que alguém da sua família está com a ideia, converse. Falar é um remédio importante, porque a partir de falar do assunto vai poder procurar ajuda especializada, ajuda psiquiátrica, ajuda psicoterápica, com os psicólogos. Vai ter ajuda correta e essa fase ruim vai passar”, conclui.

PROCURE AJUDA

De acordo com a especialista, estimular a pessoa a buscar ajuda especializada, com certeza, faz toda a diferença para que seja adequadamente tratada e não cometa o suicídio.

“Para quem não está legal, está com esse tipo de pensamento, procure um médico, um especialista, que é o psiquiatra, sem ter preconceito de que psiquiatra é médico de louco, o que é uma bobagem. Psiquiatra é um médico que cuida de sentimentos, das dores da alma, da depressão, da insônia, da ansiedade”, orienta

De imediato, deve-se buscar ajuda no CVV, pelo telefone 188. “Em Catanduva, existem os Caps, que são centros de atenção psicossocial, que também têm acolhimento, e mesmo o Pronto-Socorro, onde um colega médico, mesmo que não seja especialista, vai encaminhar para um psiquiatra na urgência ou conseguir um horário mais rápido com um profissional. A pessoa pode contar ainda com os outros profissionais que trabalham na saúde privada.”

SETEMBRO AMARELO

Desde 2014, o Brasil promove anualmente, neste mês, o Setembro Amarelo, uma campanha de valorização da vida e de prevenção ao suicídio, fruto de parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e Conselho Federal de Medicina (CFM).