Psicóloga explica importância do cuidado com saúde mental das crianças e adolescentes

Pais precisam observar sintomas que podem surgir no decorrer do tempo

Psicóloga explica importância do cuidado com saúde mental das crianças e adolescentes

Foto: ARQUIVO PESSOAL - Especialista defende fortalecimento do laço entre pais e filhos e a psicoterapia

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local
Publicado em 12/01/2022

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão entre crianças na faixa dos 6 aos 12 anos saltou de 4,5% para 8% na última década, no mundo.

No Brasil, pesquisa do Instituto Datafolha, em parceria com a Fundação Lemann, o Itaú Social e a Imaginable Futures, vem acompanhando crianças e jovens do ensino público ao longo do isolamento.

A falta de motivação, que em maio atingia 46%, chegou a 51% em julho, segundo os responsáveis por 1.556 alunos entre 6 e 18 anos. O percentual dos que estão tristes passou de 36% em junho para 41% em julho. No mesmo período, o de irritados foi de 45% para 48%. E são 74% os que se sentem tristes, ansiosos ou irritados.

Diante desse cenário e das estatísticas, a psicóloga Lívia Rael explica que a psicoterapia, método utilizado para tratar problemas psicológicos, tem aumentado durante a pandemia.

“A busca pela psicoterapia para crianças e adolescentes tem aumentado. A pandemia mexeu muito com a rotina e causou grandes conflitos emocionais, sendo que, em muitos casos essa foi apenas a gota d'água para desenvolver algum transtorno mental. O enfrentamento de toda a angústia e todo o medo, gerados em detrimento a esse caos, terão suporte na psicoterapia.”

Lívia afirma que os pais devem estar alertas aos sinais que crianças e adolescentes apresentam. “Atualmente muitos filhos pedem diretamente ajuda aos pais. Caso percebam em seus filhos tristeza, irritabilidade, agressividade, choro excessivo, apatia, perda de interesse, mudanças de comportamento com os amigos ou familiares, aumento ou perda de apetite, inquietação, doença física sem conseguir ser constatado em exame (sinal de que o corpo está mostrando algo de errado), é hora de buscar ajuda psicológica.”

A psicóloga salienta que o atendimento psicológico infantil é tão seguro e recomendado quanto o adulto. “Atendimento infantil é igualmente seguro e recomendado como o atendimento adulto. Em atendimentos com crianças e adolescentes, os pais também devem colaborar e sempre serão chamados para orientações.”

Lívia diz ainda que os pais podem fortalecer os laços com os filhos. “Peço aos pais que mantenham a calma porque os filhos prestam muito atenção no movimento dos pais, nos medos e estresse. Não mintam, sejam honestos com os filhos com o que está acontecendo. Reserve um tempo para brincar com seus filhos. Se perceber que está triste dê atenção, colo, entenda o que está sentindo e acolha. Em caso de birras tente entender antes o que está acontecendo, não dê broncas logo de cara. Crie uma rotina na vida dele com horários para acordar, se alimentar, tomar banho, brincar. Sempre que possível faça ligações de vídeo para os seus amiguinhos ou até mesmo familiares como avós e tios para manter o contato.”