Protetores de animais relatam surto de cinomose em Catanduva

Doença pode atingir os sistemas nervoso, gastrointestinal e respiratório

Protetores de animais relatam surto de cinomose em Catanduva

Foto: DIVULGAÇÃO - Os bairros em que há maior incidência do vírus são Nova Catanduva, Imperial, Pachá e adjacências

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local

O Jornal O Regional recebeu relatos de que há surto de cinomose na cidade. A doença é viral, altamente contagiosa, e pode levar à morte ou deixar graves sequelas. Acomete, exclusivamente, os cães e pode atingir os sistemas nervoso, gastrointestinal e respiratório.

A Associação Solidária Aos Animais Catanduva (ASA) informou que, em média, é constatado um novo caso da doença por dia. Os bairros em que há maior incidência do vírus são Nova Catanduva, Jardim Imperial, Anuar Pachá e adjacências.

De acordo com a médica veterinária Melissa Bueno, os sintomas da cinomose são apatia (perda de apetite), diarreia, vômito, febre, secreções oculares e nasais e convulsões.

“O vírus se replica rapidamente nas células sanguíneas e, nos casos mais graves, atinge o sistema nervoso central. Nos estágios iniciais da doença, um sintoma bastante comum é a diarreia, uma vez que o sistema digestório é, geralmente, o primeiro a ser atingido. Em um estágio um pouco mais avançado, o sistema respiratório é acometido, sendo observadas secreções normalmente amareladas e densas saindo pelo nariz e região dos olhos”, descreve.

Segundo a especialista, na fase mais tardia da doença, acontece o acometimento do sistema nervoso central, que é quando o animal passa a ter o andar desorientado e tremores musculares que podem evoluir para crises de convulsões. As paralisias, tiques nervosos e falta de coordenação são algumas das sequelas deixadas pela cinomose.

Porém, Melissa adverte que a evolução da doença não segue, necessariamente, esta ordem. “Não há uma regra para a ordem evolutiva da doença. Alguns apresentam, primeiramente, sintomas respiratórios, enquanto outros são neurológicos ou gastrointestinais.”

O vírus pode ficar incubado no animal por um período de três a 15 dias, apresentando os primeiros sintomas após uma ou duas semanas.

A transmissão pode ocorrer quando o animal entra em contato com mucosas – quando lambe outros cães, por exemplo – pelas fezes, urina, ar contaminado ou mesmo por objetos que foram expostos ao vírus. Por isso, mesmo que a cinomose não atinja seres humanos ou gatos, estes podem ser agentes transmissores para outros cães, caso tenham contato com a doença.

A veterinária explica que o tratamento consiste em combater os sintomas causados nos diferentes sistemas acometidos, como antibiótico, em caso de infecção secundária do sistema digestório, soro para desidratação, medicamentos para crises convulsivas.

“Uma boa suplementação alimentar também faz parte do tratamento, visando aumentar o sistema imunológico do animal para que outras infecções não se instalem, 'aproveitando' a fragilidade em decorrência da cinomose”, destaca.

Quando o animal tem tratamento adequado e boa saúde, pode sobreviver à doença, contudo a chance de carregar sequelas é alta. Nesses casos, terapias integrativas, como acupuntura, homeopatia, Reiki, ozonioterapia, ajudam a diminui-las e, em alguns casos, reduzi-las a quase zero.

A veterinária frisa, ainda, que a prevenção é a imunização anual (V8/V10/V11), manter a carteira de vacinação em dia e evitar contato com outros animais e/ou ambientes infectados.