Preparação para o Enem e vestibulares eleva ansiedade em estudantes

Psicóloga dá dicas para preservar o equilíbrio durante os estudos para as provas

Preparação para o Enem e vestibulares eleva ansiedade em estudantes

Foto: Agência Brasil - Muitos jovens acreditam não serem bons o suficiente ao não conseguirem aprovação

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 27/09/2021

As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 estão previstas para os dias 21 e 28 de novembro, mas, para muitos, os estudos já estão a todo vapor. O problema é que essa preparação pode ter efeito negativo sobre a saúde mental de muitos jovens, principalmente em um ano atípico como este.

Segundo pesquisa promovida pelo C6 Bank e Datafolha, publicada em junho, 64% dos estudantes brasileiros se sentem mais ansiosos em 2021.

Apesar de ser companheira comum dos vestibulandos, a ansiedade pode ser extremamente prejudicial. Como ela tem um grande potencial para reduzir o foco, a motivação e a autoestima, os estudos tendem a se tornarem menos produtivos. Quando a pressão pelo bom desempenho na prova se torna grande demais, ela pode ainda causar problemas como depressão e síndrome do pânico em longo prazo.

“O primeiro ponto que nós precisamos pensar sobre a saúde mental do jovem que está se preparando para o vestibular é o contexto que ele está inserido. A pressão familiar, do ambiente, da escola, dos professores, mas principalmente dele mesmo, pois muitas vezes o contexto é favorável, mas ele se cobra excessivamente”, pontua Ivete Casseverini, psicóloga clínica pós-graduada em Terapia Cognitivo-Comportamental pela Famerp.

Segundo ela, muitos jovens possuem crenças que se eles não passarem no vestibular no tempo que eles estabeleceram, significa que eles não são bons o suficiente, que fracassaram.

“Cada um tem o seu tempo, tem suas capacidades, mas também suas limitações. Ninguém é bom em tudo e nem deve se comparar com outras pessoas, porque somos seres únicos e singulares. O valor do ser humano independe de todas essas questões”, afirma.

A profissional diz que os jovens devem pensar que, apesar de precisarem abdicar de muitas coisas para poder estudar, eles também precisam ter lazer, momentos com a famílias, amigos, os cuidados com o corpo, tendo atividades físicas, alimentação saudável e dormir bem.

“Se ele entrar nesse processo de muitas cobranças, poderá gerar ansiedade e daí ele não vai conseguir estudar, não vai conseguir aprender, poderá ficar horas em cima dos livros, mas não terá bom rendimento, e criará um ciclo vicioso, em que ele se sente cada vez pior”, alerta Ivete.

Diante desse cenário, a especialista diz que o ideal é suspender as atividades e utilizar técnicas de relaxamento, meditação, yoga. “Tem que ter um planejamento de estudo sim, disciplina, foco, mas alguns estados emocionais não nos permitem estudar e aprender.”

ESCOLHA DA CARREIRA

Outro desafio apontado pela psicóloga, além do vestibular, é a escolha da carreira. A recomendação, neste quesito, é ter em mente que nada é definitivo. “É importante lembrar que todas as pessoas podem se confundir, errar, experimentar, fazer testes e voltar atrás. Essas experiências podem agregar nas nossas vidas ao invés de nos diminuir”, ressalta.