Prefeituras negam categoria bancária como grupo prioritário para vacinação da Covid-19

Em Catanduva, bancários serão vacinados com o restante da população

Prefeituras negam categoria bancária como grupo prioritário para vacinação da Covid-19

Foto: Seeb Catanduva - Primeira morte de um bancário foi registrada no Banco do Brasil da rua Pernambuco

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região recebeu respostas negativas das Prefeituras da região para a vacinação dos trabalhadores da categoria, ignorando a inclusão dos mesmos entre os grupos prioritários no Plano Nacional de Imunização (PNI) contra o Covid-19.

A Prefeitura de Catanduva informou que a vacinação seguirá tendo como critério a faixa etária e os bancários serão vacinados juntamente com o restante da população. Nem sequer solicitaram dados da categoria para avaliar se haveria condições para atender ao decreto federal.

"Na contramão e em descumprimento ao próprio governo federal, diversas outras cidades da região permanecem se negando a vacinar a categoria. A decisão dos gestores municipais é corroborada pelo descaso do governador do Estado, João Dória Jr, que segue negligenciando os riscos numa afronta à saúde e à vida desses trabalhadores”, critica o presidente da entidade, Roberto Carlos Vicentim.

Segundo o sindicato, foram inúmeros protestos e mobilizações - como abaixo-assinados nacionais, tuitaços, ofícios encaminhados aos governos federal, estadual e municipal - até a conquista do direito, anunciada pelo Ministério da Saúde no dia 14 de julho.

“Os bancários e bancárias não pararam um dia sequer para prestar atendimento à população, inclusive no pagamento do Auxílio Emergencial, além das agências serem locais de grande circulação de pessoas e propagação do vírus”, indica.

Em toda a regional do Sindicato, apenas a cidade de Ibitinga atendeu ao pedido e vacinou 100% dos trabalhadores do segmento - bancários, terceirizados e vigilantes.

DESABAFO

O secretário geral do sindicato, Júlio César Trigo, afirma que os bancos não estão preocupados com a vida dos funcionários e da população.

“São filas intermináveis, aglomerações nas agências, sobrecarga física e mental dos trabalhadores, consequência da falta de contratações. Há o descumprimento total dos protocolos sanitários, como a sanitização e o afastamento dos bancários que tiveram contato com pessoa positivada.”

O sindicalista lamentou a primeira morte de um bancário pela Covid-19 na base do sindicato, na segunda-feira (2).

“O lucro está sempre em primeiro lugar. É a normalização da morte, parece que não aconteceu nada”, desabafou, completando: “Parece que acabou a Covid e a Covid não acabou. Peço a vocês que denunciem os bancos, os funcionários não têm culpa. Precisa de contratação, o sindicato briga por isso e os banqueiros não estão nem aí. É só dinheiro, dinheiro e dinheiro.”