Prefeitura silencia em impasse sobre vacinação de adolescentes contra a Covid-19

Agora, apenas jovens com deficiências ou comorbidades devem ser imunizados

Prefeitura silencia em impasse sobre vacinação de adolescentes contra a Covid-19

Foto: DIVULGAÇÃO - Ministério da Saúde revisou recomendações e gerou impasse no cronograma

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local

A Prefeitura de Catanduva não se pronunciou oficialmente, até o fechamento desta edição, sobre a continuidade da vacinação dos adolescentes sem comorbidades. Questionada, a Assessoria de Comunicação Social chegou a encaminhar o calendário de imunização atual, que inclui os jovens no cronograma, sinalizando que poderia não haver mudança.

O impasse surgiu a partir de revisão feita pelo Ministério da Saúde na recomendação de vacinação de adolescentes. Em nota técnica publicada na quarta-feira, 15, o ministério passou a recomendar a vacinação apenas para os adolescentes entre 12 e 17 anos que tenham deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade.

Uma nota técnica anterior da pasta, também de setembro, recomendava que os que não apresentassem comorbidades deveriam ser os últimos a ser vacinados.

De acordo com informações da Agência Brasil, a pasta citou, entre outros argumentos para revisar a recomendação, o fato de que os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos e que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda imunização de adolescentes com ou sem comorbidades.

A OMS, entretanto, não chegou a afirmar que a imunização de adolescentes não deveria ser realizada. Em vídeo publicado em junho, a organização disse apenas que, neste momento, a vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos não é prioritária.

O ministério também argumentou que a decisão foi tomada devido ao fato de a maioria dos adolescentes sem comorbidades acometidos pela Covid-19 apresentarem evolução benigna da doença. Outro ponto levantado foi o de que houve uma redução na média móvel de casos e óbitos (queda de 60% no número de casos e queda de mais de 58% no número de óbitos por covid-19 nos últimos 60 dias) com melhora do cenário epidemiológico.

Atualmente, apenas a vacina da Pfizer/Biontech tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em adolescentes a partir de 12 anos.

CASOS ADVERSOS

De acordo com o Ministério da Saúde, quase 3,5 milhões de crianças e adolescentes entre 12 e 18 anos receberam a vacina. Desse público, 1,5 mil apresentaram eventos adversos, dentre esses um possível evento adverso grave relacionado à vacina Pfizer em um adolescente de 14 anos, que morava em São Bernardo do Campo e veio a óbito. O caso está sendo investigado.

O Jornal O Regional questionou a Secretaria de Estado da Saúde sobre o possível óbito de um adolescente, após receber o imunizante Pfizer e, também, se haverá suspensão da vacinação.
Em nota, o órgão afirmou: “É irresponsável a disseminação de qualquer informação que traga medo e insegurança aos adolescentes e familiares. Até o momento, não há comprovação de relação da vacina ao óbito de um jovem de São Bernardo do Campo. O Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo está investigando o caso devido à relação temporal com a aplicação da vacina. Qualquer afirmação ainda é precoce e temerária. A Secretaria de Estado da Saúde lamenta qualquer associação do caso isolado deste óbito que ainda não tem investigação concluída com a nota técnica informativa do Ministério da Saúde sobre a imunização dos adolescentes.”