Pneumologista fala sobre prevenção e tratamento da tuberculose

Trata-se da quarta maior causadora de mortes entre os males infecciosos no país

Pneumologista fala sobre prevenção e tratamento da tuberculose

Foto: DIVULGAÇÃO - Pneumologista diz que diagnóstico rápido é fundamental para a prevenção

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local
Publicado em 17/11/2021

Nesta quarta-feira, dia 17 de novembro, é celebrado o Dia Nacional do Combate à Tuberculose. A data tem o objetivo de alertar a população para a prevenção e o tratamento da doença, quarta maior causadora de mortes entre os males infecciosos no país.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde – OMS, estima-se que 290 mil pessoas adoeceram com tuberculose em 2019 nas Américas e que, dessas, 54 mil não foram diagnosticadas ou tiveram seus casos notificados. Brasil, Peru, México, Colômbia e Haiti concentraram quase 70% dos casos notificados. Além disso, 22,9 mil pessoas morreram em 2019 pela doença na região – 5,9 mil delas viviam com HIV.

Em entrevista ao Jornal O Regional, o pneumologista Marcelo Macchione falou sobre a doença, transmissão, prevenção e tratamento.

“A tuberculose (TB) acompanha o homem desde os seus primórdios. Existem relatos de evidência em ossos humanos pré-históricos encontrados na Alemanha e datados de 8.000 antes de Cristo (AC). A TB de coluna vertebral e de ossos também já foi encontrada em esqueletos egípcios de 2.500 AC. Foi Hipócrates que, em XXX AC na Grécia passou a chamá-la de Tísica. Nos séculos XIV e XV os médicos da região que hoje corresponde à Itália começaram a demonstrar a possibilidade de contágio da TB entre as pessoas. No século XVIII passou a ser chamada de Peste Branca (em alusão à Peste Negra) pois a mortalidade era muito elevada”, detalha o especialista.

Conforme os registros históricos, as coisas começaram a mudar a partir de 1882, quando Robert Koch descobriu seu agente causador, o bacilo da tuberculose, também chamado de bacilo de Koch. “No Brasil, a tuberculose surgiu com a chegada dos missionários portugueses. Apesar de todo conhecimento sobre esta, que talvez seja a doença mais antiga da medicina, a OMS estima que um terço da população mundial esteja infectada pelo bacilo. Anualmente, ocorrem cerca de 9,2 milhões de casos novos de TB com aproximadamente 1,6 milhões de mortes, principalmente nos países em desenvolvimento nas Américas, África e Ásia.”

O pneumologista explica ainda sobre o diagnóstico e transmissão. “Em 90% dos casos a tuberculose acomete principalmente os pulmões. Por tratar-se de uma doença infecciosa, o diagnóstico é feito através da demonstração do bacilo no escarro. Nos casos em que a doença acomete outros órgãos como, por exemplo, as pleuras ou os linfonodos, é necessária a realização de biópsia. O contágio ocorre exclusivamente por via aérea, ou seja, o bacilo é transmitido de uma pessoa doente para uma pessoa saudável através das gotículas expelidas através da tosse. Na maioria das pessoas saudáveis esse bacilo é rapidamente neutralizado pelos sistemas naturais de defesa. Em indivíduos mais debilitados ou com alguma doença de base como diabetes, alcoolismo, desnutrição, etc. o bacilo vence as barreiras de proteção e invadem os pulmões provocando a doença.”

Macchione fala, ainda, sobre a prevenção e tratamento. “Alimentação saudável, evitar bebida alcoólica, não fumar e dormir bem são medidas fundamentais, no entanto, o diagnóstico rápido é fundamental para a prevenção de novos casos. Até a década de 40, o tratamento da TB era basicamente repouso e boa alimentação nos sanatórios. A partir de 1940 começaram a surgir os antibióticos que mudaram a história da doença. Na década de 1960 foi instituído o esquema com três antibióticos ao mesmo tempo, que conseguia curar 95% dos pacientes”, conta.

Atualmente o tratamento, que dura em média 6 meses, ainda é feito com esses medicamentos, que são gratuitos e de fácil administração.

“Esse avanço fez com que as nações desenvolvidas acreditassem que, no fim do século XX, a TB estaria erradicada ou, pelo menos confinada aos países pobres. Entretanto, os intensos movimentos migratórios populacionais, o desmantelamento dos sistemas de saúde pública a crise social/financeira mundial e o advento da Aids puseram por terra este sonho. A TB continua sendo a doença infecciosa que mais mata no mundo e, enquanto houver miséria e desigualdade social, ela estará presente.”