Pacientes com sintomas respiratórios aumentam 45% na UPA em dois meses

Reflexo imediato foi o aumento dos atendimentos diários da UPA, que chegou a 350 no dia 28

Pacientes com sintomas respiratórios aumentam 45% na UPA em dois meses

Foto: O REGIONAL - Aumento da demanda elevou o tempo de espera na UPA

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 31/12/2021

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Catanduva está atendendo mais gente, a cada dia, com sintomas respiratórios. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, a demanda aumentou 45% de outubro para dezembro, em números atualizados até o último dia 28.

A escalada teve início com 1.661 atendimentos, no 10º mês do ano, passando por 2.305 registros em novembro, para alcançar 2.425 este mês. Somente nos últimos três dias do relatório, 426 pessoas procuraram por atendimento na unidade – número bem acima da média diária.

A média móvel de sintomáticos respiratórios na UPA tem gráfico em ascensão. No início do mês, eram cerca de 75 ao dia. Ao final de dezembro, o índice aferido praticamente dobrou, alcançando a marca de 150. A maioria dos atendimentos, cerca de 80%, é de pacientes entre 18 e 40 anos.

O reflexo imediato foi o aumento dos atendimentos diários da UPA, que chegou à faixa de 350 no dia 28 de dezembro. Pelo histórico, foram 319 no dia 20, 283 no dia 21, 241 no dia 22, 262 no dia 23, 202 no dia 24, 241 no dia 25, 340 no dia 26, e 339 no dia 27.

A situação elevou o tempo de espera, gerando reclamações. “São só três médicos para atender e estou esperando desde as três da tarde, tem idosos aguardando a tarde toda, um descaso”, criticou leitor de O Regional, que preferiu não se identificar, na noite de terça-feira, 28.

Apesar dos números crescentes, a quantidade de casos classificados como urgentes, que exigem encaminhamento aos hospitais, não teve oscilação. O ápice foi registrado no dia 3 de dezembro, com quatro casos. No dia 28, data em que a UPA estava mais lotada, foram apenas três.

CAUSAS

Em análise preliminar, a Secretaria Municipal de Saúde não atribuiu o aumento do número de atendimentos na UPA à pandemia do coronavírus. A causa mais provável é o surto de Influenza H3N2 que, por não ter notificação compulsória, dificulta a constatação estatística.

De acordo com o órgão, Catanduva tem atualmente três confirmações diagnósticas da doença, a partir de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) cujos exames foram analisados pelo Instituto Adolfo Lutz. Diante do resultado negativo para Covid, constatou-se a gripe.

Na UPA, a maioria dos pacientes tem somente sintomas relatados, ou seja, que não podem ser medidos, como dor de garganta e no corpo, mal-estar, odinofagia (falta de paladar e cheiro). Poucos apresentam febre, dispneia (dificuldade de respirar), tosse ou baixa saturação.

Mesmo com o teste negativo de antígeno, não é possível descartar Covid. “Os médicos precisam notificar e afastar as pessoas que procuram (atendimento) mesmo com sintomas relatados. Todos os pacientes são notificados para a Vigilância Epidemiológica”, alerta a Secretaria de Saúde.