Médicos de Família aumentam 300% no período de dois anos em Catanduva

Especialidade antiga, mas pouco conhecida e muito confundida, vem ganhando espaço

Médicos de Família aumentam 300% no período de dois anos em Catanduva

Foto: ARQUIVO PESSOAL - Médico de Família, João Marcelo Porcionato ressalta a importância da Atenção Primária

Da Reportagem Local
Publicado em 15/12/2021

A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade médica que cuida das pessoas ao longo de suas vidas, independente do gênero, idade, classe social ou doença, focando o atendimento na pessoa como um todo, levando em conta aspectos clínicos, mas também aspectos psicológicos e sociais que a envolvem, estabelecendo vínculos profundos. Muitas vezes, o profissional torna-se o médico de confiança da família toda.

Em Catanduva, até 2020, havia apenas dois médicos especialistas na área, hoje esse número passou para oito – aumento de 300% em menos de dois anos, revelando a tendência do setor, com expansão da especialidade sobretudo no setor privado, mas também no público.

“Esse profissional atua em conjunto com as equipes multiprofissionais, como no caso do SUS, em uma relação de parceria, entendendo a importância de cada membro da equipe, enfermagem, agentes comunitários, profissionais de odontologia, limpeza, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, educadores físicos e tantos outros”, explica Bruno Camargo, médico de família e preceptor da Fameca/Unifipa.

Seja na área pública ou particular, o médico de família e comunidade cuida das pessoas em seus mais diferentes momentos da vida, desde o pré-natal da gestante, o período pós-parto, o acompanhamento da criança durante sua infância e adolescência, bem como adultos e idosos, atendendo-os inclusive em seus domicílios quando necessário.

O médico de família e comunidade João Marcelo Porcionato traz em sua bagagem profissional a experiência vivida nas unidades de saúde, passando pela gestão e hoje ganhando força no setor privado. O profissional ressalta a importância da Atenção Primária e do profissional de Medicina de Família no sistema de saúde público e particular.

No setor privado, o profissional viu sua especialidade ganhar força após a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) recomendar que os Planos de Saúde investissem na atenção primária à saúde como forma de organizar custos referentes à excessos de exames, por exemplo.

Desta forma, conta João Marcelo, as operadoras começaram a oferecer aos beneficiários o atendimento integral com o médico de família, já que esse especialista possui qualificação e técnica para ter no mínimo 80% de resolutividade em suas consultas.

Complementado a fala do colega de profissão, Arthur do Espírito Santo Neto afirma: “O foco do Médico de Família é o paciente, atuando com uma abordagem centrada na pessoa, e não somente na queixa clínica. No atendimento ouvimos o que o paciente tem a dizer e, na grande maioria das vezes, existem outras raízes por trás do problema superficialmente apresentado. Tratamos a pessoa e não uma doença pontual”.

ATENÇÃO PRIMÁRIA

O Programa de Atenção Primária à Saúde (APS) tem como objetivo se tornar um modelo assistencial que se comprometa com a gestão da saúde de forma integrada e não apenas com a oferta de serviços e produção de procedimentos.

Em seu site, a Agência Nacional de Saúde Suplementar enfatiza que o foco em ações de promoção de hábitos de vida saudáveis, bem como no diagnóstico precoce de doenças crônicas, possível em um sistema baseado na atenção primária, são estratégias que podem contribuir para a melhora da condição de saúde da população.

Além disso, a boa coordenação do cuidado reduz os atendimentos mais complexos e custosos, como os prestados em ambiente hospitalar. Há evidências de que a APS é capaz de resolver pelo menos 85% dos problemas de saúde de uma população referenciada. A abordagem centrada na pessoa e não na queixa é um diferencial, já que o paciente é visualizado como um todo.