Médicos de Catanduva e Rio Preto se unem para salvar a vida de jovem catanduvense

Thalys Bertini Rodrigues teve arritmias cardíacas graves fruto de miocardite

Médicos de Catanduva e Rio Preto se unem para salvar a vida de jovem catanduvense

Foto: DIVULGAÇÃO - Médico do IMC, Dr. Adalberto Lorga Filho, liderou equipe que atendeu catanduvense

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

A vida do jovem catanduvense Thalys Bertini Rodrigues, 21, mudou de rumo no início deste ano. No dia 6 de janeiro, ao chegar em casa após o trabalho, sentiu o coração acelerar e muita falta de ar. Levado às pressas para o Hospital Unimed São Domingos, teve arritmias sustentadas e passou pela primeira cardioversão. Internado, as crises persistiram, uma mais aguda que a outra.

Dois anos antes, Thalys teve um dos períodos mais movimentados de sua vida, com atividades físicas constantes e rotina puxada após o alistamento militar no Tiro de Guerra de Catanduva. A calmaria forçada pela pandemia da Covid-19, no ano seguinte, acabou no primeiro mês de 2021.

A decisão médica foi mantê-lo em internação por cerca de 15 dias e, depois da alta, continuou o tratamento em casa. Passados mais de seis meses, Thalys teve nova crise em julho, desta vez mais severa e seguida por desmaio – foram dois episódios de síncopes. Ele voltou ao hospital.

“A gente começa a perceber sensações que não tínhamos antes. Comecei a perceber o coração aumentar e diminuir os batimentos. Subia lá em cima, estabilizava, depois sentia abaixar mais ainda. Sentia o corpo amolecer”, relata o jovem, que acabou sendo transferido para o Instituto de Moléstias Cardiovasculares – IMC, de São José do Rio Preto, em 14 de julho.

Diagnosticado com miocardite, inflamação no músculo cardíaco que pode causar arritmia cardíaca grave, Thalys passou por cirurgia para implantação do chamado CDI – cardioversor e desfibrilador implantável, equipamento cuja finalidade é monitorar o coração continuamente, detectar possíveis arritmias e tratá-las de forma adequada.

Segundo Thalys, porém, foram várias intercorrências antes da cirurgia, incluindo infecção bilateral nos braços, 15 dias de luta contra uma bactéria e outros 15 dias contra um tipo de fungo. “Foram 30 dias com todo mundo em alerta”, brinca.

Ele ocupou um quarto de isolamento, antes utilizado para a ala Covid, sendo monitorado por duas câmeras, mas com visitas diárias.

“A gente fica balançado. Quando eu achava que ia dar certo, que poderia sair, algo acontecia. Felizmente consegui manter o emocional equilibrado e tive apoio da família e dos profissionais dos dois hospitais. Apesar de tudo, consegui dar risadas e fiz amizades dentro da UTI”, revela o jovem, que precisou se afastar do emprego e, agora, já se preparara para retomar a vida.

MIOCARDITE

O tratamento realizado pelos médicos do IMC, em conjunto com profissionais de Catanduva, foi liderado pela equipe do cardiologista Adalberto Menezes Lorga Filho.

Em entrevista ao Jornal O Regional, o profissional afirmou que o IMC, centro especializado no tratamento de arritmias cardíacas, mantém correlação muito grande com cardiologistas de todas as regiões.

“Os colegas de Catanduva precisaram dos nossos serviços e, de forma correta, solicitaram que a gente atendesse esse paciente. Veio para cá, teve algumas dificuldades inerentes, mas a gente conseguiu oferecer o tratamento adequado para o problema que ele tinha, que era uma sequela de uma miocardite, que gerava risco de arritmias graves, que colocavam a vida em risco”, conta.

O médico explica que a miocardite aparenta ser fruto de alguma infecção viral que o paciente tenha tido, o que gerou fibrose no coração.

“Mesmo depois que ela se cura, às vezes a pessoa nem percebe que teve a miocardite, um quadro infeccioso no coração, ela deixa áreas de fibroses que geram circuitos para arritmias graves, e sua ocorrência pode ser fatal.”

“Miocardite é uma infecção da musculatura do coração, decorrente de algum agente infeccioso que acomete aquela região. É uma doença aleatória, que qualquer um está sujeito a ter. Pessoas imunossuprimidas podem estar mais vulneráveis. Não é tão comum, é rara, nem sempre deixa sequelas, mas quando deixa tem risco de arritmia e quando tem arritmia em cima da sequela, deve ser tratada dessa forma. É uma sequência de fatos que não ocorre com todos”, detalha.

A doença, segundo o especialista, pode acometer de crianças a idosos, bem como ocorrer em uma fase da vida e apresentar problema em outra.

“Sempre que tiver algum sintoma, que seu coração disparar, um desmaio ou ameaça, histórico de mortes súbitas na família, é importante pensar nessa possibilidade”, completa Lorga Filho, referindo-se aos problemas cardíacos.

MOÇÃO DE APLAUSOS

Vereadores da Câmara de Catanduva aprovaram moção de aplauso ao médico cardiologista Adalberto Menezes Lorga Filho, sua equipe e demais profissionais Grupo de Eletrofisiologia e Tratamento de Arritmias Cardíacas do Instituto de Moléstias Cardiovasculares - IMC, de São José do Rio Preto. A iniciativa foi da vereadora Ivânia Soldati (Republicanos).