Internado, músico precisou de atendimento particular depois de ir cinco vezes ao Postão

Peregrinação começou depois que ele sentiu dores no tórax e dormência nas pernas

Internado, músico precisou de atendimento particular depois de ir cinco vezes ao Postão

Foto: ARQUIVO PESSOAL - Músico critica atendimento no sistema municipal de saúde de Catanduva

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

O músico catanduvense Francisco Garisto, 58, cumpriu uma verdadeira peregrinação depois de começar a sentir dores no tórax e dormência nos membros inferiores. Ele foi cinco vezes ao Pronto Atendimento instalado no Postão e mais duas vezes na unidade de saúde do Jardim Del Rey. Foram diagnósticos diversos, muitas receitas de medicamentos, mas nenhuma ação efetiva.

Os sintomas se agravaram no dia 1º de agosto, domingo, quando ele começou a sentir dores no tórax e ardência. “Fui no Postão, o médico falou que não era nada, que ele não tinha um diagnóstico e quis me dar uma injeção para dor. Eu falei que precisava de um diagnóstico e não tomei a injeção. Na quarta-feira seguinte, fui no postinho e a médica disse que era cansaço, esforço físico e me deu relaxante muscular e me mandou para casa”, relata Garisto.

Dois dias depois, sexta-feira à noite, surgiram formigamentos nos pés. Na manhã seguinte, diz ele, toda a perna estava adormecida. Ele procurou novamente pela urgência médica.

“Fui no Postão, o médico olhou, falou que podia ser herpes, mas que não tinha marcas, me deu um punhado de remédio que eu não tomei. Aí no domingo de manhã, eu voltei no Postão, falei com outro médico, me deram Profenid (anti-inflamatório), injeção para dor, falei que precisava ir para o hospital, que era um caso sério, não fizeram nada. No domingo à noite, voltei e falei um monte. Gente não estou aguentando mais, isso precisa ser um tratamento sério. Ela me deu vitamina B12, isso está no relatório do Postão, me mandou para casa”, relembra.

No dia seguinte, segunda-feira, Garisto passou pela segunda consulta na unidade de saúde do Del Rey. “A doutora me consultou, falou que então ia me passar para um neurologista e encaminhou para a Secretaria de Saúde marcar para não sei quando. A hora que eu saí pela porta, ela falou vai com Deus. Eu falei: é só Ele mesmo, porque se eu depender estou morto.”

À noite, o catanduvense fez sua quinta tentativa de auxílio no Postão. “Eu não estava aguentando. Eu quebrei o barraco, cheguei falando um monte, a médica me atendeu e me encaminhou com muito custo para o Hospital Padre Albino. Passei pelo médico que estava aqui à noite, não deu um diagnóstico certo, mas falou que havia a possibilidade de ser neuropatia. Me deu um remédio para começar a tomar e eu voltei para casa.”

AJUDA PARTICULAR

Diante do histórico de problemas neurológicos – Garisto chegou a ficar 25 dias internado no ano passado sem conseguir enxergar, quando foi acompanhado pela médica neurologista Eliana Melhado, a família fez contato com a profissional mais uma vez. Ela teria conseguido atendimento nos hospitais da Fundação Padre Albino, onde Garisto continua internado.

“Eu continuo tudo adormecido por falta de atendimento desses médicos ruins, médicos novos que não conhecem nada. Eu podia estar melhor e estou aqui, na cama, e ainda não consegui melhorar nada. Pelo menos não progrediu. Ela falou que eu corria o risco de ter progredido para os outros órgãos, inclusive o pulmão e eu podia ir à falência”, desabafa.

O músico considera que seu caso envolve negligência dos profissionais de saúde do postinho e do Postão. “Tenho as receitas aqui dos médicos, eles mandaram eu tomar remédios para coisas que eles nem sabiam o que era. Uma hora dessa eu podia estar morto. Eles brincam com a vida das pessoas. Tem muito mais gente passando por esse tipo de coisa neste momento.”

SEM RESPOSTA

A reportagem do Jornal O Regional solicitou manifestação da Secretaria Municipal de Saúde sobre a denúncia e questionou quais medidas podem ser tomadas diante das supostas falhas de atendimento médico. Não houve resposta até o fechamento desta edição.