Dermatologista alerta para importância da detecção precoce da hanseníase

Brasil é o segundo país com maior número de casos da doença no mundo

Dermatologista alerta para importância da detecção precoce da hanseníase

Foto: ARQUIVO PESSOAL - Dermatologista Raquel Carvalho fala sobre a doença, transmissão e tratamento

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local
Publicado em 15/01/2022

Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil é o segundo país com maior número de casos de Hanseníase no mundo, perdendo apenas para a Índia. Para ampliar o conhecimento da população sobre a doença foi criada a campanha Janeiro Roxo.

Em entrevista ao Jornal O Regional, a dermatologista Raquel Carvalho fala sobre a doença, transmissão e tratamento.

“Hanseníase é uma doença infectocontagiosa, causada pelo Mycobacterium leprae, conhecida popular e erroneamente como “Lepra”. Tem evolução lenta, que se manifesta principalmente através de sinais e sintomas dermatoneurológicos: lesões na pele (manchas claras, róseas ou avermelhadas no corpo, que perdem a sensibilidade ao calor, frio ou toque) e lesões nos nervos periféricos, principalmente nos olhos, mãos e pés. O comprometimento dos nervos periféricos é a característica principal da doença, dando-lhe um grande potencial para provocar incapacidades físicas que podem, inclusive, evoluir para deformidades. Estas incapacidades são responsáveis, muitas vezes, pelo estigma e preconceito contra a doença. Um caso de hanseníase é uma pessoa que apresenta uma ou mais de uma das seguintes características e que requer tratamento medicamentoso: lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade;
acometimento de nervo(s) com espessamento neural; baciloscopia positiva. Este diagnostico pode ser realizado por qualquer medico da família (UBS), médicos dermatologistas, infectologistas ou neurologistas.”

A dermatologista pontua quais são os sintomas. “A principal via de eliminação do bacilo, pelo indivíduo doente de hanseníase, e a mais provável porta de entrada no organismo passível de ser infectado, são as vias aéreas superiores, gotículas transmitidas, pessoa a pessoa, quando conversamos ou tossimos, por exemplo. No entanto, para que a transmissão do bacilo ocorra, é necessário um contato direto com a pessoa doente não tratada. Quando a pessoa doente inicia o tratamento medicamentoso, ela deixa de ser transmissora da doença, pois as primeiras doses da medicação matam os bacilos, torna-os incapazes de infectar outras pessoas.”

Raquel destaca que há cura para a hanseníase. “A hanseníase é doença curável, e quanto mais precocemente diagnostica e tratada mais rapidamente se cura o paciente. O tratamento de cura é de aproximadamente 6 a 12 meses, dependendo da classificação do doente. O Acompanhamento deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, envolvendo fisioterapeutas, enfermeiros, médicos, agentes de saúde, farmacêuticos, etc. A maior causa de recidivas é o tratamento PQT inadequado ou incorreto. O tratamento, portanto, deverá ser repetido integralmente de acordo com a classificação Pauci ou Multibacilar. A presença de incapacidades, causadas pela hanseníase em um paciente curado, é um indicador de que o diagnóstico foi tardio ou de que o tratamento foi inadequado.”

A especialista conta sobre o método utilizado para tratar a doença e efeitos colaterais. “Assim como os medicamentos em geral, aqueles utilizados na poliquimioterapia e no tratamento dos estados reacionais também podem provocar efeitos colaterais. No entanto, os trabalhos bem controlados publicados na literatura disponível permite afirmar que o tratamento PQT raramente, precisa ser interrompido em virtude desses efeitos colaterais. Os estados reacionais ou reações hansênicas são reações do sistema imunológico do doente ao Mycobacterium leprae, podendo acometer tanto os casos Paucibacilares como os Multibacilares. Os estados reacionais ocorrem, principalmente, durante os primeiros meses do tratamento quimioterápico da hanseníase, mas também podem ocorrer antes ou depois do mesmo, nesse caso após a cura do paciente.”

A dermatologista finaliza falando dando orientação para população. “Anualmente, são registrados aproximadamente 30 mil casos no país e a campanha Janeiro Roxo é de extrema importância para espalhar a informação e reduzir o preconceito. A hanseníase é uma doença ainda cercada de mitos, fácil de diagnosticar, tratar e tem cura, no entanto, quando diagnosticada e tratada tardiamente pode trazer graves consequências para os portadores e seus familiares, pelas lesões que os incapacitam física e psicologicamente. O tratamento específico da pessoa com hanseníase, indicado pelo Ministério da Saúde, a poliquimioterapia padronizada pela Organização Mundial de Saúde, é realizado gratuitamente nas unidades de saúde que representam o SUS. Previna-se.”