Catanduva confirma surto da Síndrome Mão-Pé-Boca em oito escolas municipais

Especialista diz que doença é benigna, mas que já foram relatados casos graves

Catanduva confirma surto da Síndrome Mão-Pé-Boca em oito escolas municipais

Foto: UNIMED CATANDUVA - Médica pediatra Adriana Nardi frisa que a síndrome tem alta contagiosidade

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 11/12/2021

A Prefeitura de Catanduva confirmou ontem, dia 10, que a síndrome mão-pé-boca já se alastrou pelas escolas da Rede Municipal de Ensino. No total, há surto registrado em oito unidades – classificação dada a situações em que são confirmados dois ou mais casos no mesmo lugar.

De acordo com levantamento da Secretaria Municipal de Saúde, são 14 diagnósticos positivos no total, de janeiro a novembro. No ano passado, não houve registros.

Pelo protocolo, a escola com surto afasta o aluno doente, reforça as orientações de medidas de higiene com os alunos e profissionais e intensifica a limpeza de superfícies e brinquedos. Segundo o setor, não há afastamento de turmas ou suspensão de aulas.

De acordo com a médica pediatra Adriana Mancini de Castro Nardi, a síndrome é causada pelo vírus Coxsackie, cuja característica é a alta contagiosidade. “Embora possa acometer adultos, é mais frequente em crianças menores que 5 anos de idade, é uma doença benigna e autolimitada, com duração de aproximadamente uma semana. Entretanto, recentemente foram relatados casos graves, alguns com evolução desfavorável”, detalha.

A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, direta ou indiretamente. “Indivíduos infectados podem transmitir o vírus nas fezes ou por secreções respiratórias, desde alguns dias antes do início dos sintomas, continuando a sua excreção nas fezes por semanas depois da infecção primária. A duração da excreção respiratória geralmente é menor, limitada a 1 a 3 semanas.”

Segundo a profissional, considera-se a primeira semana após o início dos sintomas como o período de maior transmissibilidade da infecção. As manifestações clínicas são caracterizadas pela febre, dor de garganta e recusa alimentar, associadas à presença de lesões vesiculares que aparecem na mucosa bucal e na língua, e erupção pápulo-vesicular localizada nas mãos e pés (incluindo as palmas e plantas) e, menos frequentemente, nos cotovelos, tornozelos, glúteos e região genital.

A especialista alerta que pode ocorrer agravamento do quadro, principalmente nos menores de 5 anos. “Sempre é necessário o acompanhamento médico”, frisa. O tratamento é feito com medicamentos para aliviar os sintomas. Também é importante manter boa hidratação. Alguns casos necessitam de internação e, nos graves, algumas opções terapêuticas são consideradas.

PREVENÇÃO

A prevenção da síndrome mão-pé-boca é feita a partir de medidas de higiene para evitar riscos de transmissão, especialmente após a troca das fraldas. Além disso, devem ser tomadas precauções com desinfecção de superfícies, objetos e utensílios utilizados pelos indivíduos doentes.