Casal decide pagar por consulta depois de esperar o dia todo na UPA

Calvário começou pela manhã com idas e vindas para casa e ao posto de saúde

Casal decide pagar por consulta depois de esperar o dia todo na UPA

Foto: ARQUIVO PESSOAL - Casal enfrentou longo tempo de espera por atendimento na UPA

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 30/09/2021

A UPA - Unidade de Pronto Atendimento de Catanduva é alvo de duras críticas de Maria Rosa Buzo Tudes, que acompanhou o marido Aparecido Donizeti Tudes ao local na quarta-feira passada, dia 22. Ele começou a evacuar sangue e correu em busca do atendimento de urgência.

Consultado, passou pelo exame de toque retal e foi encaminhado para casa com a orientação de tomar bastante água, sem qualquer tipo de receita. O sintoma se repetiu. “Fiquei desesperada, decidimos voltar à UPA, pois aquilo não era normal”, conta Maria Rosa.

No segundo atendimento, eles foram orientados a ir até a unidade de saúde do bairro, onde seria solicitado exame de ultrassom. Estiveram, então, no postinho do Parque Flamingo. “A médica afirmou que o caso não era do postinho e sim para encaminhamento ao (hospital) Padre Albino. Ela fez uma carta de orientação”, lembra a idosa, que seguiu com o marido à UPA.

A nova jornada na unidade de pronto atendimento, segundo ela, começou por volta das 15 horas e seguiu até 2h30 da madrugada, horário em que a ambulância finalmente fez o transporte do paciente. O longo tempo de espera envolveu cansaço, fome e pedido de ajuda em voz alta.

“Ele foi novamente ao banheiro. Comecei a gritar, vocês estão esperando meu marido morrer esgotado? Olha quanto sangue ele está colocando para fora. Não é normal. Comecei a gritar e chorar. Eu sentada lá fora no vento. Ele numa cadeira sentado há horas”, desabafa Maria Rosa, contando o fato ocorrido pouco depois de ter ligado para a Polícia Militar e ao Jornal O Regional.

Depois do episódio, Aparecido foi colocado para dentro, recebeu soro e tranquilizante, ficando em repouso até a hora do transporte. No hospital, passou por exames e, pela manhã, endoscopia. Ele recebeu alta por volta do meio-dia, mas o casal afirma não ter recebido qualquer orientação.

“Não é possível como uma pessoa vai embora assim, já tinha ido várias vezes ao banheiro com puro sangue. Eles não tiveram compaixão, tirei ele de lá, mandaram para o postinho, a médica falou que não acreditava no que estava acontecendo. Disse que pediria uma colonoscopia com urgência”, relata.

Cansados, eles decidiram pagar uma consulta particular, assim como os exames necessários. O diagnóstico indicou diverticulite aguda. Outros possíveis sintomas, segundo Aparecido, podem ter sido confundidos com sequelas do coronavírus, que o infectou há pouco tempo. Ele emagreceu muito, chegou a ter tontura e mal-estar, mas não suspeitou de outra doença.

“Penso naqueles coitadinhos na UPA, tinha gente esperando para ir ao Padre Albino desde manhã, gente do meio-dia, os acompanhantes todos lá fora. A hora que fiz o escândalo, aí que socorreram entre aspas, passou um soro, ele estava desidratado, tremendo na cadeira. Fala pra mim, pensa naqueles outros seres, muitas pessoas humildes”, lamenta Maria Rosa.

CRÍTICAS

Diante dos fatos, o prefeito Padre Osvaldo (PSDB) também foi alvo de duras reclamações. “O homem está casando vereador, fazendo missa, trabalhando na prefeitura. Sou católica, gosto muito dele, sempre que fui na missa, sempre que precisamos dele fomos atendidos, mas como político eu não aceito. Ele não está fazendo nada por nós pobres, querendo mais um aumento na taxa de lixo. Ele foi eleito para ajudar o povo e cadê? Onde está a ajuda dos nossos políticos? Cadê os vereadores? Estamos de mãos atadas”, criticou a dona de casa.

Ela ainda prosseguiu. “Pede para esse padre olhar na UPA e nos postinhos de saúde a população pobre, esses vereadores pensarem nos pobres, é o pobre que precisa dos políticos, não os ricos. Estou pedindo pelo amor de Deus. Precisamos de alguém que nos ajude.”

RESPOSTAS

Questionado sobre o relato, o Hospital Padre Albino/HPA informou que não tem registro desse paciente no Serviço de Atendimento ao Cliente/SAC.

“Os hospitais da Fundação seguem os protocolos de boas práticas de atendimento e têm canais de atendimento ao cliente para tirar dúvidas. Todos os pacientes que passam pela Unidade de Urgência e Emergência do HPA, na necessidade, são encaminhados para consulta nos Ambulatórios da instituição”, esclareceu.

A Prefeitura de Catanduva foi acionada pelo Jornal O Regional na noite da quarta-feira, 22, com o pedido de ajuda dos dois munícipes que já aguardavam há horas na UPA. Não houve qualquer tipo de retorno ou esclarecimento sobre a demora e o atendimento confuso oferecido ao paciente.