Campanha chama atenção para arritmias e morte súbita, que vitimam 320 mil pessoas por ano

Sobrac realiza campanha nacional 'Coração Na Batida Certa', nesta sexta-feira, 12

Campanha chama atenção para arritmias e morte súbita, que vitimam 320 mil pessoas por ano

Foto: DIVULGAÇÃO - Cardiologista do IMC de Rio Preto faz alerta a grupos de risco da doença

Da Reportagem Local
Publicado em 12/11/2021

A pessoa está em casa, no trabalho ou andando na rua e, de repente, sente tontura, dor no peito e palpitações no coração. Enverga o corpo para, em seguida, cair desfalecida. Esta cena é traumática, angustiante e muitas pessoas já presenciaram porque, a cada ano, no Brasil, até 320 mil pessoas são vítimas de mortes súbitas cardíacas.

A realidade é ainda mais alarmante quando se descobre que, por ano, mais de 20 milhões de brasileiros são acometidos de arritmias cardíacas, a principal causa da morte súbita.

Para chamar a atenção para esse cenário extremamente preocupante, a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac) realiza a campanha nacional 'Coração Na Batida Certa', nesta sexta-feira, 12, o Dia Nacional da Prevenção de Arritmias Cardíacas e Morte Súbita.

A campanha tem por objetivo mobilizar médicos e instituições em todo o país para informar a sociedade sobre esses riscos ao coração e ressaltar que a melhor maneira de se evitar é a prevenção.

“Já que o tempo para o socorro é mínimo, a principal forma de combater a morte súbita é a pessoa adotar atitudes e hábitos preventivos fundamentais, como não fumar, se exercitar, ter alimentação saudável, controlar a hipertensão e diabetes e fazer avaliação cardiológica periodicamente”, afirma o médico cardiologista Adalberto Menezes Lorga Filho, diretor científico do Instituto de Moléstias Cardiovasculares, de São José do Rio Preto, e conselheiro da Sobrac. 

Ao contrário do que o nome sugere, a morte súbita cardíaca não é um episódio imediato, instantâneo. É assim chamada quando acontece de forma natural e inesperada, causada por problema no coração, e em período de até 1 hora desde o início dos sintomas, quando há uma testemunha, ou nas últimas 24 horas, quando ninguém presencia, conforme conceitua a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O “infarto fulminante”, portanto, não é uma morte súbita, mas sim uma de suas causas, destaca Lorga Filho. “Muitas pessoas que tiveram o diagnóstico de ‘infarto fulminante’, na verdade, tiveram morte súbita, não necessariamente decorrente de infarto”, completa o cardiologista.

O Instituto de Moléstias Cardiovasculares – IMC é um dos principais centros de referência no Estado de São Paulo para o diagnóstico e tratamento de pacientes que sofram de arritmia cardíaca, a principal causa da morte súbita. Outras doenças cardíacas, vasculares e neurológicas também estão entre as causas, porém, em menor percentual.

CADA SEGUNDO CONTA

O tempo para o socorro à vítima de morte súbita é muito curto. Como exemplo, o cardiologista do IMC apresenta o registro do eletrocardiograma de uma pessoa que portava um holter ao sentir os sintomas.  O holter é um dispositivo portátil, que monitora continuamente a atividade elétrica cardíaca de pacientes por 24 horas ou mais.

“Neste caso, passaram-se apenas 6 minutos entre o início de arritmia fatal, chamada de fibrilação ventricular, e a morte. Este exemplo mostra o quanto o atendimento imediato é fundamental para salvar vidas”, afirma.

São fundamentais, portanto, o socorro imediato e a presença de um desfibrilador externo automático (DEA) com alguém que saiba utilizá-lo, ressalta o cardiologista do IMC.

“A cada minuto que se passa sem o socorro devido, a chance de uma vítima se recuperar diminui em 7% a 10%. A morte cerebral e a morte permanente ocorrem entre 4 e 6 minutos após a parada cardíaca. Poucas tentativas de ressuscitação são bem-sucedidas após 10 minutos do início do quadro”, salienta o conselheiro da Sobrac.

GRUPOS DE RISCO

Além de adotar hábitos de vida mais saudáveis, as pessoas devem estar atentas a sintomas que podem indicar ter arritmia cardíaca. São eles: cansaço ou fraqueza; falta de ar; palpitações no coração; dor no peito; tontura ou sensação de desmaio e desmaio.

Segundo o cardiologista do IMC, a pessoa deve se preocupar com a possibilidade de vir a sofrer arritmia cardíaca e, consequentemente, com chance de ser vítima de morte súbita se tiver: história de infarto prévio ou de insuficiência cardíaca; ocorrência de desmaios (principalmente se durante atividade física) ou crises de taquicardia; e familiares de primeiro grau com morte súbita antes dos 35 anos e familiares de primeiro grau com diagnóstico de cardiopatias genéticas graves.

TRATAMENTO

Quando o médico especialista detecta o risco aumentado de ocorrência de arritmias malignas em seu paciente que podem levar à morte súbita, o implante de um cardioversor-desfibrilador implantável, conhecido como CDI, pode ser necessário.

Semelhante a um marcapasso que previne a “parada” dos batimentos do coração, o CDI, além da função de marcapasso, tem a capacidade de detectar a ocorrência de arritmias malignas que aceleram o coração e frequências incompatíveis com seu funcionamento adequado, que podem causar a morte e, em poucos segundos, aciona um choque que interrompe a arritmia, evitando a morte do paciente.