Auriculoterapia: especialista explica prática milenar que auxilia no combate de doenças

Técnica é uma das especialidades mais conhecidas da Medicina Chinesa

Auriculoterapia: especialista explica prática milenar que auxilia no combate de doenças

Foto: ARQUIVO PESSOAL - Terapeuta Juliana Rosa fala sobre a história e benefícios da Auriculoterapia

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local
Publicado em 04/12/2021

Uma das especialidades mais conhecidas da Medicina Chinesa, a Auriculoterapia auxilia no tratamento e prevenção de hipertensão, doenças cardíacas, além de depressão, ansiedade e, até mesmo, infertilidade. Em entrevista ao Jornal O Regional, Juliana Rosa, Terapeuta Integrativa que atua em Catanduva, detalhou a história e as vantagens dessa prática milenar.

“A Auriculoterapia engloba muitas práticas diferentes, está enraizada na filosofia antiga do Taoísmo e remonta há mais de 5 mil anos. A Auriculoterapia, aurículo (orelha) + terapia (tratamento), é uma técnica de diagnóstico e tratamento através de pontos específicos localizados na orelha, baseada na ideia de que o pavilhão auditivo da orelha, ou aurícula, é um microssistema em que todo o corpo é representado por um mapa. A estimulação desses pontos reflete diretamente no córtex cerebral, no sistema nervoso central e atua no equilíbrio dos canais de energia do corpo”, detalha.

Ela fala sobre as pesquisas realizadas sobre a técnica. “Desenvolveu-se a partir de achados arqueológicos na província de Hu Nan, uma época de incentivo a educação, filosofia e artes, e onde o papel de arroz havia acabado de ser inventado. Diante de tanta evolução, é natural que muito sobre a cultura tenha sido escrito naquela época. O livro “Os onze canais dos braços e das pernas na moxabustão e os onze canais Yin e Yang na moxabustão” trouxe informações a respeito da ligação entre os olhos, membros, face e garganta com os vasos e canais da orelha.”

O livro deu início às pesquisas, mas não teria sido a primeira fonte de informações sobre o método. Outras informações também foram citadas durante a dinastia de Tang, Ming e também através de Hipócrates, por Platão. Na década de 50, essa informação chegou ao conhecimento de um médico francês, o Dr. Paul Nogier, que ouviu relatos de um paciente que havia se tratado na Europa e iniciou pesquisa sobre o assunto, decifrando os pontos meridianos situados na região da orelha e desenvolvendo uma técnica conhecida como Auriculoterapia francesa.

“É um método que conseguiu impor-se pelos resultados obtidos e por ser pouco invasivo, o que faz com que seja bem aceito pelos pacientes. Atualmente é considerada uma PICS, prática integrativa pelo SUS, sendo indicada para tratamento de dores por torções, contraturas ou distensões musculares, problemas reumáticos, respiratórios, cardíacos, urinários, digestivos, hormonais, obesidade, anorexia, doenças da tireoide, psicológicos, como ansiedade ou depressão. Foi oficializada pela Organização Mundial de Saúde como terapia de microssistema.”

A terapeuta explica, ainda, como é Auriculoterapia na prática. “É feita uma anamnese e identificação dos pontos a serem trabalhados para cada caso, de forma específica. Posteriormente, é feita a assepsia do local e a aplicação sobre os pontos, que podem ser com: agulhas filiformes: aplicadas sobre os pontos durante 10 a 30 minutos; agulhas intradérmicas: colocadas sobre a pele por cerca de sete dias; esferas magnéticas: coladas na pele por aproximadamente cinco dias; sementes de mostarda: aquecidas ou não, e são coladas na pele durante sete dias; e cristais radiônicos: colocados na pele por aproximadamente sete dias.”