• Daniele Jammal

'Nova onda' de Covid pode massacrar empresas, afirma especialista

Duek diz que muitas não terão força para enfrentar períodos de restrição

Foto: DIVULGAÇÃO - Economista comenta que se trata de crise de confiança, nacional e internacional


Da Reportagem Local

A pandemia do novo coronavírus trouxe muitos desafios para a vida de todos, em todas as áreas. Quando se fala no futuro das empresas, não é diferente. O Banco de Compensações Internacionais (BIS), mostrou em relatório recente que, neste cenário, companhias brasileiras terão de quitar dívidas pelos próximos dois anos, com valores correspondentes a 45% de seu lucro líquido. Entre os sete países emergentes analisados, esse foi o maior índice apresentado.

Isso significa que as organizações do país têm muito o que planejar. No entanto, o que parecia ser um problema conhecido, pode ser maior do que se imagina. Com o surgimento de variantes com alto potencial de contaminação, como a delta, ainda que a vacinação esteja em avançado andamento, corre-se o risco da eclosão de novas ondas de contágio do coronavírus.


Segundo o Grupo de Pesquisa Interdisciplinar Ação Covid-19, o Brasil pode viver uma nova onda entre abril e setembro de 2022, levando em consideração, principalmente, a queda de imunidade da vacina, ao longo do tempo.

Como medida de prevenção, novas restrições podem surgir neste período, o que - inevitavelmente, poderá agravar ainda mais o quadro negativo de algumas empresas.


Douglas Duek, economista e CEO da Quist Investimentos, afirma que “como podemos ver, novas ondas de coronavírus surgiram, mesmo em países que vacinaram primeiro, como Israel e outras nações da Europa. Essa terceira onda pode chegar ao Brasil, e impactar muitas empresas, que já estavam sem fôlego e sem ‘gordura’ para enfrentar mais um período de fechamento ou de restrição de horários. Isso pode ser ainda pior para redes de varejo, que já estão em extrema dificuldade pelas ondas passadas”.

Na atual conjuntura, a crise abarca, inclusive, o setor de investimentos. Duek comenta ainda que se trata de uma crise de confiança, tanto de capital nacional quanto internacional. Além disso, segundo uma pesquisa do Serasa Experian, 325 mil empresas, entre todos os portes, fecharam as portas no país entre janeiro e abril deste ano.


Durante este um ano e meio de pandemia, o CEO explica que algumas medidas ajudaram a mitigar a crescente falência, como a suspensão da folha de pagamentos e o Programa Nacional de Apoio às Microempresas, criado durante a pandemia com objetivo de dar suporte às micro e pequenas empresas.

Entre abril e maio, também se notou um maior número de pedidos de recuperação judicial. Isso também ocorreu porque a RJ é um recurso que permite a continuidade das atividades, enquanto a empresa negocia suas dívidas.


Sobre isso, Douglas afirma que isso pode ser uma importante ferramenta para dar apoio aos empresários, que podem tentar essa possibilidade antes de considerar apenas a opção da falência. “Temos muito cases importantes e de sucesso, que a partir da recuperação judicial, retomaram os trabalhos mais fortalecidos e com planejamentos mais alinhados”, completa.


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