• Daniele Jammal

MEIO AMBIENTE: Estudo comprova eficiência da ETE na despoluição do rio São Domingos


Foram utilizados 768 dados coletados pela Cetesb a montante e a jusante de Catanduva

Guilherme Gandini

Editor-Chefe


Foto: O REGIONAL - Estudo mostrou que a quantidade de despoluição na água do rio São Domingos diminuiu bastante e, além disso, a quantidade de oxigênio dissolvido aumentou


A eficiência da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) para a despoluição do rio São Domingos foi tema de artigo técnico publicado pela Revista Engenharia Sanitária e Ambiental. O estudo tem coautoria do catanduvense Wagner Cleyton Fonseca, engenheiro ambiental do Instituto de Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina e docente da Universidade do Vale do Itajaí.

Intitulado “Avaliação da influência da estação de tratamento de efluente de Catanduva (SP) na qualidade da água do rio São Domingos”, o trabalho consistiu na avaliação da qualidade da água do ribeirão antes e depois do início da operação da ETE, em 2015.

Foram utilizados no levantamento 768 dados coletados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) a montante e a jusante de Catanduva.

“A memória que eu tenho do rio São Domingos quando eu morava em Catanduva infelizmente é o odor de esgoto, pois todo o efluente era lançado no rio sem tratamento. Depois de 2015 esse cenário mudou. Então comparamos os dados da Cetesb de 2010 a 2015, antes da ETE, com os de 2015 a 2017, para verificar como rio se comportou depois da ETE”, explica Fonseca.

Segundo ele, o estudo mostrou que a quantidade de despoluição na água do rio São Domingos diminuiu bastante e, além disso, a quantidade de oxigênio dissolvido aumentou – quanto maior, melhor. “Ou seja, a ETE de Catanduva trouxe significativa melhora para o rio. Aquele odor de esgoto e aquela água escura ficaram para trás. Hoje temos um rio bem diferente.”



O artigo registra que após dois anos de operação da ETE, houve significativa melhoria na qualidade do rio, com redução das concentrações médias de Demanda Biológica de Oxigênio, nitrogênio amoniacal e Escherichia coli e aumento da concentração de oxigênio dissolvido.

“A análise de componentes principais indicou que a qualidade do rio a jusante de Catanduva está se aproximando da boa qualidade verificada a montante da cidade”, revela o estudo, o que indica que a diferença da água antes de passar por Catanduva e depois da cidade diminuiu bastante. “O que significa que a ETE foi capaz de atenuar a poluição”, esclarece Fonseca.

Para os pesquisadores, os dados sugerem que o São Domingos pode futuramente ser classificado como Classe 3, conforme a legislação ambiental e até ser utilizado para abastecimento humano, reduzindo a elevada demanda de água subterrânea na região.

“Ainda temos coisas a fazer. A Estação de Tratamento de Efluentes precisa de uma etapa de desinfecção para melhorar ainda mais a qualidade do rio e diminuir chances de transmitir doenças de veiculação hídrica e também, futuramente, uma remoção de nutrientes como o fósforo”, pondera o engenheiro.


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