• Daniele Jammal

Confiança da indústria cai em dezembro em 28 setores, diz CNI

Na comparação com novembro, otimismo é maior em 23 setores

Foto: CNI - Segundo a CNI, o índice mede a confiança do empresário para os próximos seis meses e, no caso de dezembro, leva em conta os efeitos que 13º terá ao longo do período


Agência Brasil


Levantamento divulgado nesta sexta-feira (17) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra queda no otimismo do empresário industrial em 28 dos 29 setores que compõem o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), em uma base de comparação de dezembro de 2021 com dezembro de 2020 – meses em que o décimo terceiro salário é pago, o que gera aumento das expectativas de consumo. Na comparação com novembro, no entanto, o nível de confiança sobe em 23 setores.


Segundo o gerente de Analise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, o índice mede a confiança do empresário para os próximos seis meses e, no caso de dezembro, leva em conta também os efeitos que o décimo terceiro terá ao longo do período. “Dezembro é um mês diferenciado por isso”, disse.


Azevedo lembra que a situação em que o país se encontrava em dezembro de 2020 era ainda mais diferenciada por conta da expectativa de o auxílio emergencial pago pelo governo “dar um impulso grande” à economia. “Foi um momento atípico e uma série de estímulos à demanda que se refletiu em uma produção mais forte”, resume o gerente da CNI.


“A indústria estava atuando em nível acima do pré-pandemia por causa da situação das pessoas, que estavam direcionando parte do consumo a produtos industriais por conta do auxílio. Com isso, houve necessidade de retomada de estoques em um cenário em que a expectativa era de superação mais rápida da economia”, acrescentou Azevedo.


De acordo com o Icei – Resultados Setoriais de dezembro, 28 dos 29 setores pesquisados registraram queda de confiança, na comparação com dezembro de 2020, ainda que, em todos os casos, o índice se mantenha acima dos 50 pontos (margem que diferencia confiança de falta de confiança dos empresários para os seis meses subsequentes).


O setor de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e outros foi o que mais caiu (-10,9 pontos), passando de 64 para 53,1 pontos no Icei. “Nesse caso, temos de levar em consideração o fato de que, naquele momento [dezembro de 2020], as pessoas estavam mudando hábitos por causa do home office. Esse movimento, portanto, já aconteceu e agora está se revertendo”, explica Marcelo Azevedo. Em novembro de 2021, o Icei do setor estava em 51,4 pontos.


O segundo setor que mais caiu na confiança dos empresários, na comparação de dezembro de 2021 com dezembro de 2020, foi o de produtos têxteis (-8,9 pontos, passando de 62,4 para 53,5 pontos). Em novembro, o Icei desse grupo estava em 52,6 pontos.


O Icei do setor de celulose, papel e produtos de papel vem em seguida, com queda de 8,6 pontos na comparação entre o índice de dezembro de 2021 (55 pontos) com 2020 (63,6 pontos). Na comparação com novembro de 2021, quando o Icei estava em 53,4 pontos, o índice teve alta de 1,6 ponto.


Já o setor de máquinas e equipamentos teve queda de 8,2 pontos, , na comparação com dezembro do ano passado, marcando agora 57,9 pontos (em novembro, o Icei ficou em 56,8 pontos). Produtos de material plástico e produtos de minerais não metálicos registraram, ambos, queda de 8 pontos ante dezembro de 2020.


O único setor em que o índice de confiança subiu, tendo como base de comparação dezembro de 2020, foi o de impressão e reprodução de gravações (3,5 pontos a mais, passando de 57,7 para 61,2 pontos). Em novembro último, o Icei do setor estava em 58 pontos.

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