Regionalização impulsiona turismo com foco na religiosidade, atrativos rurais e ciclismo

Rota Caminho da Fé ganhou corpo diante da pandemia do coronavírus

Regionalização impulsiona turismo com foco na religiosidade, atrativos rurais e ciclismo

Foto: PREFEITURA DE RIO PRETO - Secretário diz que a palavra integração resume o atual momento

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

Muito antes do atual processo de regionalização do Estado de São Paulo começar, que resultou na recente criação da Região Metropolitana de São José do Rio Preto e da Microrregião de Catanduva, esta ainda em trâmite, as cidades já se organizavam nas chamadas Regiões Turísticas, as RTs. O incentivo à descentralização parte do próprio Ministério do Turismo.

Os dois polos regionais compõem a RT Águas, Cultura e Negócios. Catanduva ainda integra a RT Caminhos do São Domingos, junto a outras cinco cidades cortadas pelo velho ribeirão.

Do trabalho iniciado em 2017 com envolvimento do Senac no processo de planejamento regional, derivou a chamada Rota Caipira – Turismo Autêntico, roteiro que reúne as belezas naturais, a gastronomia e as principais atrações de 13 cidades do Noroeste paulista.

Integram a Rota Caipira os municípios de Palestina, Olímpia, Catanduva, Bady Bassit, Catiguá, Icem, Ipiguá, Itajobi, Monte Aprazível, São José do Rio Preto, Uchoa, Urupês e Nova Granada.

“São quatro trechos diferentes: gastronomia, água, religiosidade e entretenimento, todos partindo de Rio Preto para que o turista desfrute de roteiros de um ou dois dias, integrando-se com outros projetos”, explica Jorge Luis de Souza, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Negócios de Turismo de São José do Rio Preto.

Paralisado pela pandemia no início de 2020, o projeto regional foi retomado em julho deste ano e deverá entrar em nova fase, com a futura comercialização de pacotes turísticos, através de agências operadoras, para atrair visitantes de outras regiões.

“Apesar da suspensão ocasionada pela pandemia, foi um período em que outros projetos locais se desenvolveram e ganharam corpo, a exemplo da Rota Caminho da Fé, um dos roteiros que mais demonstra resultados, sobretudo diante do momento difícil vivenciado pela população. É uma peregrinação que possibilita meditação, oração e contato com o povo”, pontua Souza.

O Caminho da Fé, inspirado no milenar Caminho de Santiago de Compostela, da Espanha, foi inaugurado em 2003 para dar estrutura às pessoas que sempre fizeram peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida, oferecendo-lhes pontos de apoio e infraestrutura.

Com o fortalecimento, surgiu o Ramal São José, aberto em junho de 2021, caminho de peregrinação com início em Rio Preto, percorrendo em seguida o Distrito de Engenheiro Schmitt, Cedral, Potirendaba, Ibirá, Urupês, Novo Horizonte e Borborema no total de 150 quilômetros. Com o acréscimo, o Caminho da Fé totaliza, hoje, 894 quilômetros para “peregrinos caminhantes e “cicloturistas” – tornando-se um dos maiores caminhos de peregrinação do mundo.

“O turismo do interior vai ajudar na retomada da economia. Os projetos estão se consolidando cada vez mais por sua própria simplicidade. Não é necessário grande investimento em estrutura, são muitas pessoas que saem em dias e horários diferentes e vão utilizando a rota”, afirma.

Outra sustentação da RT vem do Cicloturismo. O projeto, estimulado pela Associação Comercial e Industrial de Rio Preto (Acirp), empresários e Prefeitura, tem saída na represa municipal com vários destinos. O traçado completo tem 260 quilômetros e cruza 17 cidades. “É um turismo que já existia e foi organizado para, agora, ser vendido como um produto”, alerta Souza, indicando que a iniciativa se mistura às rotas de Turismo Rural, que ganha apoio do Senar.

“Todas essas ações vão se juntando, exigindo pouco investimento, usando a estrutura já existente, mas disponibilizando aos turistas a possibilidade de ter lazer aos finais de semana. Uma oportunidade, por exemplo, para que participantes dos inúmeros Congressos Médicos de Rio Preto possam fazer um desses roteiros numa manhã de domingo”, completa o secretário.

REGIÕES DISTINTAS

A composição da Região Metropolitana de Rio Preto, disposta em 37 cidades, difere da formação do departamento regional de saúde, que tem mais de 100 localidades, e da Região Turística, formada por apenas 13. Caso semelhante é visto em Catanduva, cuja microrregião deverá ser composta por 13 municípios, ao passo que 19 estão interligados na área de saúde pública.

Esse suposto desalinhamento entre os diferentes processos de regionalização, para Jorge Luis de Souza, não causa conflito, nem mesmo quanto à futura liberação de recursos regionais. “Não vejo nenhum choque nessa fragmentação das regiões. Olhando de fora pode até parecer confuso, mas os projetos acabam se integrando por diferentes elos”, garante.

Ele exemplifica que Catanduva compõe a RT Águas, Cultura e Negócios, mas não entrou na Rota Caminho da Fé. Já Olímpia, ligada à região de saúde de Barretos, está ligada a Rio Preto pelo turismo e compõe a nova Região Metropolitana. Os recursos liberados aos MITs – Municípios de Interesse Turístico, acrescenta, independem da região em que a cidade está enquadrada.

E arremata: “O Turismo está sendo debatido e entendido principalmente pelas pequenas cidades, que já compreendem a importância do turismo caipira, religioso, de negócios. Se eu tivesse que resumir tudo isso em uma só palavra, seria integração, com a união desses projetos e ações para desenvolver as cidades, melhorar a gestão e a vida do cidadão.”