Presidente da Câmara reduz Orçamento em R$ 4 milhões e afirma ter R$ 2,5 milhões de folga

Legislativo receberá menos recursos ao longo do ano ao invés de fazer devoluções

Presidente da Câmara reduz Orçamento em R$ 4 milhões e afirma ter R$ 2,5 milhões de folga

Foto: CÂMARA DE CATANDUVA - Atual presidente da Câmara, Gleison determinou redução do orçamento

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 29/10/2021

A Câmara de Catanduva abrirá mão de R$ 4 milhões de seu orçamento para que a Prefeitura utilize os recursos ao longo do ano. O valor será deduzido do chamado duodécimo, percentual que é repassado mensalmente ao Legislativo. Em 2021, esses valores foram de R$ 1,1 milhão, superando a marca de R$ 13 milhões no ano. A nova cifra será de R$ 9,6 milhões.

A determinação foi feita pelo presidente Gleison Begalli (PDT), que fala em economia e maior eficiência no uso do dinheiro público. Ele relembra que, nos últimos dois anos, a Câmara devolveu à Prefeitura cerca de R$ 10 milhões e que, neste exercício, a previsão é que sejam devolvidos R$ 6 milhões – fruto da contenção de despesas adotada ao longo do ano.

“O novo orçamento é mais do que suficiente para conduzir a Câmara. Depois de pagar toda a folha de servidores ativos e inativos, ainda restarão em caixa cerca de R$ 2,5 milhões para outras demandas e investimentos. Vamos possibilitar que a Prefeitura invista e atenda a população, ao invés de segurar esse dinheiro durante o ano todo”, comentou a O Regional.

Na última sessão ordinária, Gleison abordou o tema em discurso. “Assumi a presidência da Casa com o firme propósito de fazer uma administração austera, correta e para o bem da nossa cidade, dos nossos munícipes”, disse, apostando depois na reflexão sobre a contribuição que será feita com a liberação dos recursos. “Ficar com o dinheiro no cofre, guardado durante o ano todo, atrapalha a vida do Executivo e, consequentemente, a vida das pessoas. O dinheiro que poderia ser empregado no desenvolvimento da cidade fica parado no caixa da Câmara.”

Ele relembrou que o vereador Luís Pereira (PSDB) proporcionou maior “eficiência” à gestão do Legislativo, durante sua presidência, reduzindo despesas. “Economizar é uma coisa, ter eficiência com o dinheiro público é outro”, ponderou.

“Eu também assumi esse trabalho. Estamos trabalhando para entregar uma cidade melhor, com um orçamento cauteloso e enxuto, que eu tenho certeza, apesar da folha de pagamento da Câmara ser de grande monta, o que sobra – mais de R$ 2,5 milhões – dá muito bem para as eventualidades que possam vir a ocorrer”, argumentou o atual presidente.

A proposta de Gleison já foi incorporada ao PL 128/2021, encaminhado à Câmara pelo prefeito Padre Osvaldo (PSDB) para definir o Orçamento do Município para o exercício de 2022. A peça estima a receita e fixa a despesa em R$ 641 milhões. O projeto recebeu pedido de vistas por 10 dias e deverá retornar à pauta da Câmara no dia 9 de novembro.

EMBATE

Contrário à redução do orçamento da Câmara, o vereador Marquinhos Ferreira (PT) ocupou a tribuna duas vezes na última sessão para falar sobre o tema. Ele relembrou que o orçamento máximo permitido pela legislação seria de quase R$ 16 milhões.

“Minha preocupação é que se você pegar a folha de pagamento dá mais de R$ 7 milhões e essa Casa está em um local de risco, já teve muitas enchentes. Não devemos correr esse risco de abaixar o orçamento bruscamente”, alegou. Disse ainda que o próximo presidente terá de continuar com “esse valor irrisório” que, segundo ele, não “dá para tocar a Casa”.