Prefeitura silencia diante de infrações de trânsito e da falta de fiscalização flagrados nas ruas

São abusos recorrentes, cometidos por cidadãos e empresas, sem atenção do poder público

Prefeitura silencia diante de infrações de trânsito e da falta de fiscalização flagrados nas ruas

Foto: DIVULGAÇÃO - Na rua Pará, a agência dos Correios também adotou a rua como pátio de manobras e para estacionamento de sua frota

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 21/11/2021

A reportagem do Jornal O Regional coleciona denúncias sobre flagrantes de desrespeito e da falta de fiscalização verificada em Catanduva. Em levantamento feito pelas ruas da cidade, pelo menos 10 situações foram registradas. São abusos recorrentes, cometidos por cidadãos e empresas, sem atenção do poder público. Os denunciantes preferiram permanecer em sigilo.

Uma das práticas que estão se tornando comuns é a utilização de cones para reservar vagas de trânsito para uso privado, em clara afronta ao artigo 246 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A nova moda, porém, não enfrenta qualquer sanção por parte da Secretaria de Trânsito e Transportes Urbanos (STU), que deixa os infratores sem punição e livres para repetir a conduta.

Vale saber: o artigo 246 do CTB diz que obstruir a via indevidamente é considerada infração gravíssima, sujeita a multa - que pode ser agravada em até cinco vezes, a critério da autoridade do trânsito, conforme o risco à segurança que o obstáculo oferece. O parágrafo único diz que a penalidade será aplicada à pessoa física ou jurídica responsável pela obstrução.

Com conduta semelhante, ferindo o mesmo artigo do código, um supermercado localizado na área central está utilizando a rua Cuiabá para carga e descarga. Além do espaço ocupado pelos caminhões, que avançam além da faixa de estacionamento, uma empilhadeira transita livremente pela via – com uso de uma placa de “atenção - empilhadeira trabalhando”.

Na rua Pará, a agência dos Correios também adotou a rua como pátio de manobras e para estacionamento de sua frota. A falta de uma área adequada, que deveria ser providenciada pela própria instituição, é solucionada com o uso do espaço público. A situação muitas vezes força os pedestres a caminharem pela rua, que tem fluxo rápido, colocando suas vidas em risco.

Já na avenida José Nelson Machado, é uma concessionária de máquinas agrícolas que também adotou a rua como parte de sua empresa. No local, tratores descem e sobem dos caminhões, com utilização de uma rampa de metal – que é arrastada por um trator em meio à via. Toda essa estrutura ocupa duas faixas da via e força os veículos a transitarem pela faixa de ciclismo.

Outros flagrantes alheios ao setor de trânsito também foram feitos pela reportagem, como um bar com música ao vivo próximo ao Hospital Unimed São Domingos, o uso de vagas de estacionamento para colocação de mesas e cadeiras por estabelecimento localizado na rua e ocupação de área verde por comércio no cruzamento das ruas Santos e Recife.

SILÊNCIO

O Jornal O Regional questionou a Prefeitura de Catanduva sobre as possíveis irregularidades flagradas nas ruas. As perguntas sobre o tema foram encaminhadas na quarta-feira, dia 17, mas não houve qualquer resposta até o fechamento desta edição, ontem, dia 20.