Prefeitura mantém segredo sobre Instituto de Especialidades de Saúde; Estado diz desconhecer

Projeto veio à tona a partir da contratação do anteprojeto da obra

Prefeitura mantém segredo sobre Instituto de Especialidades de Saúde; Estado diz desconhecer

Foto: O REGIONAL - Prefeitura não esclareceu se Imesc substituirá ou será evolução do CEM

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

A construção de um novo equipamento de saúde pública, o Instituto de Especialidades de Saúde, Imesc, está sendo conduzida em segredo pela Prefeitura de Catanduva. Informações obtidas pelo Jornal O Regional, junto a funcionários da Secretaria Municipal de Saúde, indicam que a obra envolveria cifras milionárias, com investimento do Governo do Estado.

A existência do projeto veio à tona a partir da publicação, no Diário Oficial do Município, de extrato referente à contratação de empresa especializada para elaboração de projeto arquitetônico para a construção. Só o anteprojeto custará R$ 98 mil aos cofres públicos. A empresa contratada é a MN Lima – Arquitetura e Construção, com sede em Campinas.

De acordo com apuração feita pela reportagem, o projeto é tocado de forma direta pelo gabinete do prefeito Padre Osvaldo (PSDB), sem envolvimento das equipes de saúde. O responsável seria o secretário de Planejamento, Gilberto Motta, o Giba, recém-nomeado para a pasta. Ele atuou no mesmo setor durante o mandato do ex-prefeito Geraldo Vinholi (PSDB).

Pessoas próximas dizem que a verba, superior a R$ 8 milhões, teria sido liberada pelo Governo do Estado para construção do prédio para um novo centro de especialidades, semelhante ao CEM, que funciona atualmente no Centro de Saúde Dr. José Perri, o Postão. Mas seria um prédio inteiramente novo. A área já teria sido definida, nas proximidades do Estádio Silvio Salles.

Fonte da área da saúde consultada pela reportagem afirmou que não houve qualquer discussão no setor sobre a necessidade e detalhes do projeto. Não há definição, por exemplo, sobre de que forma o novo equipamento será inserido na rede pública de saúde: substituindo ou complementando os serviços do CEM e do AME – Ambulatório Médico de Especialidades.

Questionada sobre toda essa história, a Secretaria de Estado da Saúde garantiu que a informação sobre investimento estadual em um centro de especialidades municipal, até este momento, não procede. Disse também que a área técnica do Departamento Regional de Saúde confirmou que não existe qualquer pedido ou projeto semelhante em trâmite.

E A NOVA UPA?

A Prefeitura não respondeu os questionamentos encaminhados pelo jornal sobre o Imesc. Foram solicitados esclarecimentos sobre objetivos e composição do serviço de saúde, se o órgão substituirá ou complementará o CEM e o AME, se o atendimento será local ou regional, previsão de investimento, custos de manutenção, se os valores estão disponíveis e a fonte dos recursos.

De forma especial, a Prefeitura também foi indagada se o projeto não contraria demanda tida como mais urgente, inclusive durante a campanha eleitoral e com promessa de Padre Osvaldo, relacionada à construção de um novo pronto atendimento no município para atender as regiões mais distantes da UPA, como o Nova Catanduva, Imperial, Flamingo e Gabriel Hernandez.