Prefeitos criticam novo pedágio na Rodovia Washington Luís; Padre Osvaldo silencia

Principal autoridade de Catanduva sequer participou da audiência pública sobre o tema

Prefeitos criticam novo pedágio na Rodovia Washington Luís; Padre Osvaldo silencia

Foto: PREFEITURA DE RIO PRETO - Audiência Pública reuniu autoridades da região em Rio Preto

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 28/10/2021

A Artesp - Agência de Transporte do Estado de São Paulo realizou uma série de audiências públicas para apresentar o modelo preliminar de concessão das novas rodovias paulistas, bem como a proposta de renovação das concessões já existentes. Ao todo, foram cinco encontros nas cidades de São Paulo, Barretos, São José do Rio Preto, Penápolis e Araraquara.

O 'Lote Noroeste Paulista', que engloba a região de Catanduva, foi separado em dois lotes, que juntos somam 1,7 mil quilômetros de estradas. Ambos têm rodovias já concedidas com contratos em fase de vencimento, acrescidos de trechos hoje administrados pelo DER.

As audiências públicas abordaram apenas o Lote A, que é composto por cerca de mil quilômetros em 13 rodovias. As concessões vão cortar 49 cidades, com previsão de investimentos privados de R$ 11,9 bilhões em 30 anos, prazo dos novos contratos. As concessões só devem ser concluídas no final de 2023.

Para a região de Rio Preto estão previstos investimentos de R$ 3,5 bilhões, que inclui a duplicação de 33 quilômetros de rodovias, marginais e uma ciclovia entre Rio Preto e Mirassol, além da implantação de 22 dispositivos de segurança, a maioria na Washington Luís.

O modelo apresentado pelo Governo de São Paulo, entretanto, incluiu dez novas praças de pedágio espalhadas pelas novas concessões e até em trechos já concedidos, como é o caso da rodovia Washington Luís (SP-310), que tem a Triângulo do Sol como concessionária. O novo ponto de cobrança seria entre Catanduva e Rio Preto, na altura da cidade de Cedral.

Esse fato vem causando contestação por parte de prefeitos e lideranças regionais. Na audiência pública da Artesp realizada na segunda-feira, dia 25, em São José do Rio Preto, o prefeito Edinho Araújo (MDB) pediu que a intenção de se instalar novo pedágio em Cedral seja revista. Ele também cobrou a realização de obras de melhorias nos acessos à cidade que administra.

“Pedimos para analisarem a possibilidade de rever a instalação de uma praça de pedágio no km 421, em Cedral, visto que ela ficará apenas a 22,5 km da de Catiguá, cuja tarifa atual é de R$ 17,60, cobrada nos dois sentidos de direção. Nova cobrança de tarifa nesse local irá onerar em muito trabalhadores de cidades próximas, como Cedral e Uchoa, trabalhadores esses que se deslocam diariamente para trabalhar em Rio Preto, bem como vai encarecer o valor do frete rodoviário de cargas”, destacou Edinho.

Já o prefeito de Catanduva, Padre Osvaldo (PSDB), não participou da audiência pública. Enquanto o evento acontecia, ele estava assistindo a um leilão de animais no Recinto de Exposições. Ele também não se manifestou oficialmente sobre o assunto e sequer respondeu questionamentos do Jornal O Regional até o fechamento desta edição.

Em mensagem via whatsapp, a reportagem indagou o prefeito sobre o motivo da não participação na audiência e também sua posição pessoal sobre a proposta do governador João Doria (PSDB) de instalar novos pedágios na região. Ainda, o que ele, enquanto prefeito, pretende fazer em relação a essa questão, tendo em vista que centenas de catanduvenses que estudam, trabalham e utilizam serviços médicos de Rio Preto serão prejudicados pela decisão.

PREFEITOS CRITICAM

Na microrregião de Catanduva, alguns prefeitos já se posicionaram contra a instalação da nova praça de pedágio em Cedral. Prefeito de Pindorama, Júnior Felippe (Republicanos) disse à reportagem que considera a proposta completamente inoportuna.

No mesmo sentido, Cássio Bertelli (PSD), prefeito de Elisiário, relembrou que o trecho já possui uma praça de pedágio em Catiguá. “Uma nova praça de pedágio iria dificultar muito a vida financeira dos usuários, espero que não prospere esta proposta. Minha opinião é contrária à implantação. Não vejo essa necessidade”, declarou.

O prefeito de Uchoa, José Cláudio Martins (MDB), também já declarou em entrevista que uma nova praça de pedágio atingiria diretamente o bolso do trabalhador, sobretudo porque sua cidade ficaria “ilhada” no meio dos dois pedágios, Catiguá e Cedral.

Edvard Colombo, prefeito de Ibirá, informou em nota que não compartilha desta decisão em aderir a novas praças de pedágio na região, que "esse sistema que de acordo com o governo visa melhorias nas rodovias da região, neste caso irá prejudicar nossos municípios, incluindo Ibirá que é Estância Turística, como também os trabalhadores e estudantes que trafegam pelas rodovias, com essas praças, dificultará ainda mais pra todos".