Pré-candidata a deputada, vereadora de Araraquara conquista espaço e pode rachar PT na região

Com bandeiras sociais, a advogada de 26 anos poderá confrontar Beth Sahão nas urnas

Pré-candidata a deputada, vereadora de Araraquara conquista espaço e pode rachar PT na região

Foto: DIVULGAÇÃO - Thainara poderá ser nome forte nas eleições para deputado em 2022

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 24/10/2021

Vereadora mais votada de Araraquara em 2020, na disputa pela reeleição, Thainara Faria (PT) lançou-se como pré-candidata a deputada federal. Ela poderá, depois de muitos anos, 'rachar' o PT na região de Catanduva ao confrontar Beth Sahão (PT), deputada por quatro mandatos.

Alçando seu primeiro voo, ela prefere falar em união e coalizão. “A Beth tem outro capital político, não venho para confrontar, mas sim ocupar espaço que ela não ocupa, o que pode até mesmo ajudar na eleição dela. A ideia dentro do partido é de colaboração”, assegura.

A advogada de 26 anos reconhece a importância do eleitorado de Catanduva para o seu projeto. “Tenho andado bastante e Catanduva é importante nesse processo”, diz ela, reforçando que a meta é conquistar novos eleitores. “O objetivo é ampliar e não capitalizar com os que já temos.”

A parlamentar petista foi a mulher mais jovem e a primeira mulher negra a assumir uma cadeira no Legislativo de Araraquara, em 2016. Depois, tornou-se a mais votada entre todos na eleição seguinte, aumentando seu eleitorado. É atualmente vice-presidente da Casa.

Thainara é, também, base de apoio do prefeito municipal Edinho Silva (PT), fato que, segundo ela, pode alavancar sua candidatura. “Ter o apoio do prefeito Edinho não é pouca coisa, amplia as possibilidades e vamos trabalhar muito para isso”, afirma, sobre a eleição para deputada.

Nascida e crescida na periferia de Araraquara, a jovem passou a atuar em movimentos sociais em busca de políticas públicas que atendam às necessidades da população e, sobretudo, “os direitos das minorias em direitos”. Mantém o discurso de renovação de ideias e projetos.

Pelo Partido dos Trabalhadores, atuou como secretária de Juventude da Macrorregião de Ribeirão Preto, trabalhando pela renovação e fortalecimento das ideologias da sigla.

Eleita, tornou-se líder da Bancada do PT dentro da Câmara Municipal e atuou como membro da Executiva do PT Municipal. No Legislativo, compondo a Procuradoria Especial da Mulher (reativada em 2017 por seu mandato), atuou em defesa da garantia dos direitos da mulher, avaliando a efetividade das políticas públicas e iniciativas do Legislativo para as mulheres.

Thainara atuou também nos Grupos de Trabalho compostos pela Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil, instituída pela Ordem dos Advogados do Brasil OAB/ 5ª subsecção de Araraquara e, durante o levantamento de dados e materiais, delineou a realidade da escravidão negra no município de Araraquara e região, realizou diversos encaminhamentos no município direcionados à promoção de políticas públicas para a população negra.

Para a campanha como deputada, Thainara levará suas principais bandeiras, relacionadas à defesa de direitos da comunidade LGBTQIA+, negros e negras, juventude e das mulheres, e à proteção e promoção dos direitos da criança e do adolescente. A partir daí, transitará pelos grandes temas, como saúde, educação, economia e desenvolvimento regional.

Ela frisa que falta representatividade a esses grupos dentro dos espaços de poder e decisão e que é preciso ter lideranças que operem na luta pelos direitos sociais. Diz que o movimento negro, assim como os demais, precisa ocupar esses espaços para decidir seu próprio destino.

Com discurso centrado, Thainara ressalta que os municípios, em geral, são extremamente racistas. “Dentro do nosso ambiente não há como falar em sociedade equânime”, lamenta.

Sobre a importância de seu papel como porta-voz desse público, ela pontua os desafios políticos. “Por enquanto é só a voz. Somos três pretos entre 18 vereadores, não há como aprovar pautas sozinhos. Dependemos de aliados e de trazer mais pessoas com esse mesmo perfil para deter o poder da caneta, de decisão. Não adianta só ficar do lado de fora, na militância”.