Por prevenção ao suicídio, município firma acordo de cooperação com a Aviva

Catanduva registrou 153 óbitos causados por lesões autoprovocadas em sete anos

Por prevenção ao suicídio, município firma acordo de cooperação com a Aviva

Foto: REPRODUÇÃO - Juiz Wagner Quadros defendeu aprovação do projeto na tribuna

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 19/12/2021

A Câmara de Catanduva aprovou projeto de lei que autoriza o Poder Executivo a firmar acordo de cooperação com a Aviva – Associação para Valorização da Vida, entidade filantrópica sem fins lucrativos qualificada como Organização da Sociedade Civil. O objetivo é ampliar ações de apoio emocional e psicológico para a prevenção ao suicídio no município.

A Aviva será a mantenedora do Posto do Centro de Valorização da Vida (CVV) de Catanduva e atuará, através de seus voluntários, para acolher, ouvir, respeitar e compreender as pessoas angustiadas. A entidade manterá cronograma de trabalho, metas e resultados a serem atingidos e terá suas atividades fiscalizadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social.

“Essa providência é de total interesse público, pois abrange pessoas de toda a sociedade acometidas por esses tipos de problemas, indistintamente de suas condições sociais”, apontou o prefeito Padre Osvaldo (PSDB) ao apresentar o projeto autorizativo aos vereadores.

Na sessão da Câmara, a presidente da Aviva, Ivete Casseverini, afirmou que o suicídio é uma endemia. “Ele é um fenômeno que sempre esteve presente em toda a história da humanidade. No passado, foi considerado uma questão de honra, a partir da Idade Média, começa a ser cada vez mais penalizado. E no século XVI, se torna um dos grandes dilemas humanos”, relatou.

Segundo a psicóloga, o suicídio é o desfecho de uma série de fatores que se acumulam na história do indivíduo. “Nós temos uma tendencia de dizer que o suicídio foi provocado por, por exemplo, uma perda ou desilusão amorosa, mas na verdade é multifatorial, são fatores de personalidade, hereditários, culturais, socioeconômicos, abusos, acesso aos meios letais”.

Ela lembrou, ainda, os transtornos mentais – que envolvem mais de 90% dos casos de suicídio, sobretudo a depressão, e explicou a chamada “dor psíquica”.

“Quando a paulada do destino é muito grande e a pessoa não tem recursos para lidar com aquilo que está acontecendo, ela vai direto para o ato, é um ato de desespero, impensado, impulsivo. Quando a pessoa coloca palavras na sua dor, é quando o suicídio pode ser evitado”, detalhou.

Também na tribuna da Câmara, o juiz Wagner Ramos de Quadros, presidente da Arcos - Associação e Rede de Cooperação Social, também falou sobre o auxílio às pessoas que mais precisam. “Dentre eles estão aqueles seres que estão em sofrimento. A medida do sofrimento do outro não pode ser medida por nós. Não importa como vemos o sofrimento do outro, só ele tem a medida do próprio sofrimento. Nós o que podemos fazer é nos compadecer da dor do outro e fazer alguma coisa a respeito”.

NÚMEROS

De acordo com levantamento da Aviva, com base em dados da Secretaria Municipal de Saúde, Catanduva registrou 153 óbitos causados por lesões autoprovocadas intencionalmente, os chamados suicídios, em sete anos. Foram 27 ocorrências em 2015, 28 em 2016, 21 em 2017, 18 em 2018, 25 em 2019, 24 em 2020 e 10 em 2021. Este ano, também houve 158 tentativas.