Governo de SP anuncia volta obrigatória às salas de aulas e divide opiniões em Catanduva

Escolas municipais não adotam regramento e mantém rodízio até 31 de outubro

Governo de SP anuncia volta obrigatória às salas de aulas e divide opiniões em Catanduva

Foto: DIVULGAÇÃO - Para Andrezza Joverno Santos, 38, mãe de uma menina, de 3, as famílias clamam pelo direito de os filhos estarem na escola todos os dias

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local
Publicado em 14/10/2021

O governador João Doria (PSDB) anunciou ontem, dia 13, junto ao secretário da Educação, Rossieli Soares, a retomada obrigatória dos estudantes às aulas presenciais para todas as redes: estadual, municipais e privada vinculadas ao Conselho Estadual de Educação a partir de 18 de outubro. Até então, a presença era facultativa às famílias.

“Tenho certeza que, como eu, pai de três adolescentes, todos aqueles que são mães e pais estão felizes com a possibilidade de seus filhos retomarem as aulas. Para garantir a segurança do retorno às aulas presenciais, todos os protocolos sanitários, como o distanciamento de um metro entre os alunos, uso obrigatório de máscara e álcool em gel, serão mantidos até o final de outubro”, afirmou João Doria.

Para garantir a segurança e a ampliação do retorno às aulas presenciais, todos os protocolos sanitários, como o distanciamento de 1 metro entre as pessoas, uso obrigatório de máscara e álcool em gel ainda serão mantidos até o final de outubro, assim como o esquema de revezamento planejado por cada escola, de acordo com a capacidade física.

“A educação precisa ser prioridade da sociedade. Fizemos todos os investimentos necessários para o cumprimento dos protocolos e essa volta tem total respaldo do Comitê Científico do Estado”, destacou Rossieli Soares.

A partir de 3 de novembro, novas mudanças passarão a ser implementadas, como a não obrigatoriedade do distanciamento de 1 metro e, por consequência, a descontinuidade do revezamento entre os alunos nas aulas presenciais. Ampliando o acesso e a frequência dos estudantes da educação básica à unidade escolar para 100% dos estudantes presentes simultaneamente.

A imunização de 97% dos profissionais da educação, com esquema vacinal completo, garante maior segurança para a retomada por completo das aulas. Além disso, 90% dos adolescentes de 12 a 17 anos já tomaram a primeira dose da vacina contra a Covid-19.

As exceções à obrigatoriedade serão jovens pertencentes ao grupo de risco, com mais de 12 anos, que não tenham completado seu ciclo vacinal; gestantes e puérperas; crianças menores de 12 anos pertencentes ao grupo de risco, para as quais não há vacina aprovada no país; e estudantes com condição de saúde de maior fragilidade à Covid-19, mesmo com o ciclo vacinal completo, comprovada com prescrição médica para permanecer em atividades remotas.

MÃE CRITICA DECISÃO

A obrigatoriedade imposta pelo governador foi alvo de críticas da moradora do Nova Catanduva, Elaine Cristina Bonfim. Ela decidiu não colocar seu filho de volta à sala de aula até que ele receba a segunda dose da vacina contra a Covid-19. Aos 15 anos, Eduardo Bonfim Marchioli está no 9º ano da Escola Maximiano Rodrigues. O novo cenário causou revolta.

“É uma loucura o governador exigir o retorno. Até agora, a mãe que se sentisse confortável mandava os alunos e a que não se sentisse, não mandava. A partir do momento que ele tira totalmente esse meu poder e obriga ir à escola, mesmo com rodízio, fica uma situação muito complicada. Acho que ele não deveria fazer isso, deveria esperar um pouco mais”, critica.

A escolha de Elaine, de não voltar à escola, teve compreensão do jovem, segundo ela. “Ele acatou numa boa a minha decisão, até porque nós perdemos pessoas e confesso que tenho medo. Não é porque ele só tem 15 anos que não pode pegar Covid e ter complicações, porque ele tem problemas pulmonares. Tudo isso agrava a Covid. Então tomamos a decisão lá atrás.”

Ela conta, ainda, que chegou a visitar a escola, no momento da retomada das aulas presenciais, e entendeu que o distanciamento adotado não estava condizente com sua visão.

REDE MUNICIPAL NÃO MUDA

A Secretaria Municipal de Educação informou, em resposta à reportagem de O Regional, que como possui sistema próprio de ensino e tem autonomia quanto a decisões referentes à retomada das aulas presenciais nas escolas municipais de Catanduva.

“Conforme o cronograma, a atual resolução com 50% da capacidade dos alunos em sala de aula seguirá até 31 de outubro, tendo em vista a organização prévia para o período. A partir do dia 3 de novembro, as salas terão 100% da capacidade”, afirmou.

MÃES RELATAM INDIGNAÇÃO SOBRE RODÍZIO DE ALUNOS NA REDE MUNICIPAL

Na mesma linha de pensamento do governador, muitas mães de Catanduva criticam o sistema de rodízio adotado nas escolas municipais e entendem que a retomada completa já deveria ter sido feita. Elas afirmam ter dificuldade para continuar em seus empregos e, ao mesmo tempo, cuidar de seus filhos nas semanas que eles não podem frequentar as aulas presenciais.

Marilia Ribeiro, 29 anos, gerente de Negócios, é uma dessas mães que têm enfrentado essa dificuldade. Sua filha tem 5 anos de idade e está no Jardim I. Em entrevista ao Jornal O Regional, ela revela indignação na forma de ensino adotada pelo município.

“Estou extremamente chateada com esse retorno às aulas em Catanduva, onde nosso prefeito Padre Osvaldo, juntamente com a responsável pela Secretaria da Educação, Claudia Cosmo, não tiveram um planejamento adequado para tais circunstâncias, diversas entrevistas eles zombam da cara das mães. Cidades da região de São Jose do Rio Preto, que é maior, já tiveram a volta das aulas presenciais com 100% da capacidade e Catanduva? Somente as escolas particulares voltaram desde o início do ano e vida que segue. É constrangedor e revoltante para nós, mães que dependemos do ensino da rede municipal, cada dia a criança em um lugar, dependendo de terceiros para serem cuidados, até mesmo crianças que ficam sozinhas. Cada história que escutamos e percebemos que a Prefeitura não tem empatia por nós. Aqui em Catanduva a prioridade é outra menos o retorno às aulas.”

Marilia relata desgaste e confusão com o rodízio de alunos. “É um descaso total com as crianças da rede municipal, decepcionante e muito frustrante ver o futuro da sua filha ser roubado por uma pessoa que diz ser padre e está governando nossa cidade e não ter amor e cuidado com nossas crianças. Nossas crianças da rede municipal seguem nesse revezamento sem fundamento e ficando cada dia mais atrasadas. Uma semana frequenta a aula e duas em casa, agora, um dia vai à escola, no outro não. Me diz que diferença vai fazer isso? Não está sendo nada proveitoso esse rodízio, apenas desgastante para os pais e nossas crianças que ficam confusas com os dias e horários.”

Andrezza Joverno Santos, 38 anos, auxiliar de faturamento, com uma filha de 3 anos, destaca que as famílias clamam pelo direito de os filhos estarem na escola todos os dias. “O fato é que estão tirando o direito das crianças estarem na escola uma vez que já está tudo liberado, todo mundo com vida normal, professores frequentam mercados, academias, bares, viajam e as crianças na escola todo dia traz risco. A conta não fecha, a hipocrisia está gigante. Temos um prefeito que não se importa com isso e uma secretária da educação que não trabalha pelo ensino das crianças. A diferença e indiferença que fazem são enormes e os prejudicados são as crianças. As famílias de crianças da rede municipal de ensino gritam por igualdade, pelo direito dos filhos estarem na escola todos os dias, assim como acontece na rede particular de ensino.”

Ela destaca que o ensino na rede municipal não está sendo proveitoso. “Esse revezamento é ridículo e nada proveitoso. A Prefeitura alega que o retorno está sendo gradativo pela segurança de todos, nesse mês de outubro a criança vai para a escola apenas oito dias, dia sim, dia não. Um dia você leva a criança para a escola, no outro a família que precisa trabalhar deixa essa criança na vizinha, na amiga, no parente, sob os cuidados de outra criança, onde que isso é seguro?”