Depoentes negam troca de dinheiro por votos e alegam terem trabalhado para Padre Osvaldo

Ponto contraditório é que as pessoas não constam na prestação de contas do candidato

Depoentes negam troca de dinheiro por votos e alegam terem trabalhado para Padre Osvaldo

Foto: DIVULGAÇÃO - Segundo levantamento, nenhuma dessas pessoas constaria na prestação de contas do então candidato Padre Osvaldo

Da Reportagem Local
Publicado em 12/10/2021

A reportagem do Jornal O Regional teve acesso aos depoimentos de pessoas que foram apontadas como organizadoras e outras que seriam beneficiárias do suposto esquema de compra de votos em favor da coligação de Padre Osvaldo (PSDB) nas eleições do ano passado. O inquérito corre na Polícia Civil e foi anexado à ação de investigação judicial eleitoral.

Na versão à Polícia Civil, um dos envolvidos apresentou versão diferente da declarada à Justiça. Ele disse que não se tratava de compra de votos, mas que reuniu pessoas para prestar serviço de divulgação à campanha de Padre Osvaldo. A maioria dos depoentes seguiu nessa mesma linha, afirmando terem trabalhado para a campanha, e poucos negaram ter recebido dinheiro.

O ponto contraditório nessa versão é que, segundo levantamento, nenhuma dessas pessoas constaria na prestação de contas do então candidato Padre Osvaldo. Pela regra, toda contratação feita pelos candidatos no período das eleições deve ser declarada à Justiça, independentemente do valor. Em média, os envolvidos declararam terem recebido R$ 100.

Pela denúncia, a ação teria se desenrolado na noite de 11 de novembro de 2020, com a entrega de dinheiro vivo a eleitores em uma residência do Nova Catanduva. Imagens de câmeras de vigilância mostram grande fluxo de pessoas no imóvel e a distribuição de objetos, que seriam dinheiro. Há inclusive uma lista com os nomes dos envolvidos, seguidos pela indicação “PG”.

Todas as partes envolvidas têm prazo de 48 horas para apresentar as alegações finais, após terem acesso ao inquérito, conforme determinado pelo juiz eleitoral José Roberto Lopes Fernandes. O prazo começa a valer na quarta-feira, dia 13. Depois, outros dois dias serão concedidos ao promotor eleitoral, André Luiz Nogueira da Cunha, que poderá rever seu parecer.

São réus no processo o prefeito Padre Osvaldo, o vice-prefeito Cláudio Romagnolli e o vereador Luís Pereira, todos do PSDB. Também foram citados outros quatro possíveis envolvidos, além de toda a chapa que encabeçou a candidatura do religioso. A ação foi movida no ano passado pela Coligação União para o Bem de Catanduva e pelo Partido dos Trabalhadores, o PT.

Pelo parecer inicial em setembro deste ano, o Ministério Público defendeu a condenação de Padre Osvaldo, Cláudio Romagnolli e Luís Pereira, com pagamento de multa, cassação do diploma e inelegibilidade por 8 anos. A investigação envolve suspeita de abuso de poder econômico, receitas e despesas não contabilizadas, além da captação ilícito de sufrágio.

A advogada que defende o prefeito Padre Osvaldo e o vice-prefeito Cláudio Romagnolli, Cynthia Menegoli Carlessi, afirmou que seus clientes estão sendo acusados de participar de compra de votos de forma infundada. “Desde o início sustentamos a tese que não temos qualquer participação em compra de votos, pedidos de voto, ou qualquer barganha”, frisou.