Com rodízio nas escolas, mães relatam que não têm com quem deixar os filhos

Elas precisam auxiliar nas despesas de casa e temem por seus empregos

Com rodízio nas escolas, mães relatam que não têm com quem deixar os filhos

Foto: DIVULGAÇÃO - Mães de alunos têm preocupação em deixar uma criança cuidando da outra

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local

O Jornal O Regional recebeu reclamações de mães que não têm com quem deixar os filhos no período em que a criança fica em casa, devido ao revezamento adotado nas escolas municipais. Elas relatam que precisam permanecer em seus empregos e auxiliar nas despesas da casa mas, por outro lado, ficam receosas ao deixar a criança sob cuidado de um filho mais velho.

As aulas presenciais nas escolas municipais de Catanduva retornaram no dia 2 de agosto. Nas primeiras seis semanas de atividades presenciais, o percentual permitido de alunos em sala de aula foi de até 35% em todas as etapas da educação – Infantil, Fundamental e Médio. Apesar do retorno, existe a regra de revezamento, onde o aluno recebe o ensino remoto e presencial.

“Tenho dois filhos, um de 13 anos que tem bolsa em uma escola particular e poderia estar indo para escola todos os dias, mas não tem como, ele que tem que cuidar da irmã de três anos. Desde que começou esse revezamento, ele cuida da irmã, porque não tenho com quem deixá-la, todos precisamos trabalhar. O que me indigna é essa diferença grande, escolas particulares podem ir todos os dias, as da região também. É muito difícil isso que estou fazendo porque sou mãe, tenho um filho que é muito responsável, mas não é certo o que estou fazendo, deixar uma criança cuidando de outra”, relata uma das reclamantes, que preferiu não se identificar.

Outra leitura encaminhou relato semelhante. “Deixo a minha pequena de três anos com a maior de 14. Não tenho família aqui em Catanduva, as duas ficam o dia todo em casa, sozinhas, para que eu não tenha que deixar meu trabalho. A volta às aulas é muito importante e também um alívio pra mim e tantas outras mães na mesma situação. Não vou fazer a comparação com escolas particulares, porque gostaria muito de poder pagar escola para elas e não estar passando por isso, mas já está na hora de voltarmos à nossa rotina”, declarou.

Segundo ela, muitas mães tiveram que deixar seus empregos por não ter onde deixar seus filhos e, mesmo com todas as reaberturas e retomada da economia, elas ainda não podem voltar ao mercado de trabalho porque a Prefeitura “não faz nada para que isso mude ou melhore”.

“Não queremos a mesma resposta que nos dão toda semana, queremos que eles mudem essa visão de que a volta precisa ser gradativa. Na escola da minha filha na turma que era pra ir cinco ou seis, há dias em que há dois alunos, isso é muito injusto, se a criança está matriculada antes mesmo da idade obrigatória é porque os pais precisam trabalhar”, pontua.

A equipe do Jornal O Regional encaminhou as reclamações e questionamentos para a Prefeitura, que respondeu com a seguinte nota: “O retorno às aulas na rede municipal está ocorrendo de forma gradativa, em segurança. Inclusive, na semana que vem, haverá mais uma flexibilização.”