Catanduva fica entre 100 melhores, mas amarga situação crítica em investimentos

Levantamento do Firjan sobre área fiscal considerou “boa gestão” na cidade em 2020

Catanduva fica entre 100 melhores, mas amarga situação crítica em investimentos

Foto: RAFAEL BELO - Resultado colocou Catanduva entre os 30,6% do país avaliados com boa gestão fiscal

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 28/10/2021

Catanduva ficou na 97ª colocação estadual no ranking do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), com 0,7797 ponto. O índice varia de zero a um, sendo que, quanto mais próximo de um, melhor a gestão fiscal. O levantamento tem como ano-base 2020. O resultado colocou o município entre os 30,6% do país avaliados com boa gestão fiscal. Apenas 11,7% enquadraram-se na excelência.

O IFGF é composto pelos indicadores Autonomia, Gastos com Pessoal, Liquidez e Investimentos. Após a análise de cada um deles, cada município é classificado em um dos conceitos do estudo: gestão crítica (resultados inferiores a 0,4 ponto), gestão em dificuldade (entre 0,4 e 0,6 ponto), boa gestão (entre 0,6 e 0,8 ponto) e gestão de excelência (superiores a 0,8 ponto).

O índice de 2020 foi o melhor resultado desde 2014, quando a cidade alcançou a 64ª posição, com 0,7889. No retrospecto, apenas os anos de 2015 e 2016, os dois últimos da administração de Geraldo Vinholi (PSDB), enquadram-se como “gestão em dificuldade”, com resultados 0,5320 e 0,4868, respectivamente. Nesses dois anos, a Liquidez do município chegou a zero.

Apesar da análise de “boa gestão” em 2020, na análise por indicador Catanduva amarga situação crítica no quesito Investimentos. O resultado aferido foi de 0,3004. Os demais foram 1,0 para Autonomia, 1,0 para Gastos com Pessoal e 0,8185 em Liquidez – neste último, a cidade recuperou-se ano a ano, partindo do zero em 2016 para “boa gestão” quatro anos depois.

SITUAÇÃO CRÍTICA

O Índice Firjan de Gestão Fiscal revelou que 3.024 cidades brasileiras têm situação fiscal difícil ou crítica. No estudo, foram avaliados 5.239 municípios que, na média, atingiram 0,5456 ponto. De acordo com a análise, o quadro é preocupante e a dificuldade de geração de receita pelos municípios é o principal entrave para a melhora das contas públicas.

O gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart, explica que, entre as cidades avaliadas, 1.704 (32,5%) não são capazes de gerar localmente, no mínimo, recursos suficientes para arcar com os custos da Câmara de Vereadores e da estrutura administrativa da Prefeitura.

“Além disso, 1.818 municípios (34,7%) gastam mais de 54% da receita com despesa de pessoal, 2.181 (41,6%) têm planejamento financeiro ineficiente e 2.672 (51%) investem, em média, apenas 4,6% do orçamento”, ressalta Goulart.