Catanduva está entre os 100 municípios mais vulneráveis de São Paulo no combate à pandemia

Cidade registrou piora em quatro dos cinco indicadores entre 2020 e 2021

Catanduva está entre os 100 municípios mais vulneráveis de São Paulo no combate à pandemia

Foto: Pedro França/Agência Senado - Senadores Confúcio Moura, Wellington Fagundes (no telão) e Esperidião Amin na reunião remota de segunda-feira

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

O Instituto Votorantim lançou a atualização do Índice de Vulnerabilidade Municipal (IVM), que classifica todos os municípios brasileiros em relação ao seu grau de vulnerabilidade à pandemia. Os resultados foram apresentados na segunda-feira (20) à Comissão Temporária da Covid-19 (CTCovid). A consulta e utilização do IVM é disponibilizada gratuitamente para apoiar a tomada de decisão de gestores públicos e privados envolvidos em ações de combate à pandemia.

Quanto maior o valor do índice do município, de 0 a 100 pontos, mais vulnerável e suscetível ele está com relação aos impactos da pandemia. Tudo é calculado a partir de dados oficiais, levando em conta 14 indicadores distribuídos em seis pilares temáticos. Para cada indicador e pilar temático, foram atribuídos pesos de acordo com sua relevância no contexto da pandemia.

Catanduva aparece no levantamento com IVM 55,60 em 2021. A população vulnerável tem índice 62,04, a economia local teve resultado 75,76, a estrutura do sistema de saúde 53,98 e a organização do sistema de saúde 23,53. Já a capacidade fiscal da administração municipal atingiu 31,90 e a capacidade do município de resposta à crise da Covid-19 foi de 49,80.

Em levantamento feito pelo Jornal O Regional, Catanduva figura na 559ª posição no Estado de São Paulo, o que coloca a cidade entre as 100 mais vulneráveis no combate à pandemia, segundo o estudo. O pior índice é de Itararé (65,38), seguido por Carapicuíba (63,49) e Taquaritinga (63,04); já os melhores são Gavião Peixoto (29,48), Planalto (31,91) e Colômbia (32,41).

Entre todos os 5.570 municípios brasileiros, os três piores índices foram registrados por Barra do Piraí/RJ, com IVM de 69,10, Araruama/RJ (68,74) e Cidreira/RS (68,23). Na outra ponta da tabela, os líderes do ranking nacional são Gavião Peixoto/SP (29,48), Florianópolis/SC (29,96) e Santa Rita do Trivelato/MT (31,75).

COMPARATIVO

Catanduva teve piora no IVM entre 2020 e 2021, passando de 45,87 para 55,60 no índice geral. Entre os cinco indicadores adotados nos dois estudos, a cidade regrediu em quatro: população vulnerável – passou de 39,61 para 62,04; economia local – 72,47 para 75,76; organização do sistema de saúde – 22,01 para 23,53; e capacidade fiscal da administração – 43,62 para 49,80. O único aspecto que apresentou melhora foi estrutura do sistema de saúde – 63,19 para 53,98.

ANÁLISE

Criado em 2020 em um contexto bastante específico, o IVM tem como foco apontar os municípios mais vulneráveis no país para atuação do Instituto Votorantim, que já destinou R$ 150 milhões a um fundo de saúde de enfrentamento da pandemia.

Segundo o gerente do instituto, Rafael Luis Pompeia Gioielli, inicialmente foram definidos cinco pilares, que tentaram resumir a condição de vulnerabilidade. “Ter mais idosos, por exemplo, significa que o município está mais vulnerável, assim como ter maior densidade demográfica. A economia é outro aspecto relevante”, expôs Gioielli.

Na contramão do esperado, há uma relação positiva e significativa entre o produto interno bruto (PIB) per capita e o número de óbitos por covid a cada 100 mil habitantes. “Uma economia mais potente acabou gerando mais óbitos, isso porque a população mais ocupada ficou mais exposta às atividades externas e se contaminou mais”, estimou Gioielli.

Outro achado importante tem a ver com a estrutura do sistema de saúde. Aqui também, diferentemente do esperado, uma estrutura mais robusta acabou incrementando o número de mortes. “Levantamos hipóteses de que as medidas adotadas por municípios e estados a partir da disponibilidade de leitos colocou mais pessoas em situação de risco.”

O estudo indicou ainda que mais pessoas dependentes do Sistema Único de Saúde (SUS) acabaram por resultar em menos óbitos, quando em comparação com o sistema privado, o que pode apontar melhor eficiência do sistema público.

EFICÁCIA

O que o IVM definiu não necessariamente aconteceu, segundo o gerente do Instituto Votorantim. Por isso, foi criado o sexto pilar: índice de eficácia no enfrentamento da pandemia, que considera as características iniciais que possam ter relação com a entrada do vírus no município, a velocidade de contágio, a vulnerabilidade da população e a capacidade de atendimento regional, além de questões econômicas. “Ser mais vulnerável não significa ter os piores desempenhos, tudo vai depender das ações dos gestores públicos”, completou Gioielli.

(Com informações da Agência Senado)