Catanduva é a 45ª cidade mais competitiva do país, mas perde 19 posições no ranking em 2021

Os melhores desempenhos foram nas áreas de educação e saúde

Catanduva é a 45ª cidade mais competitiva do país, mas perde 19 posições no ranking em 2021

Foto: ARQUIVO PESSOAL - Ex-secretário municipal diz que prefeitura tem margem para agir

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 23/11/2021

Catanduva é a 45ª cidade mais competitiva o país, apesar de ter perdido 19 posições no ranking divulgado ontem, dia 22, pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Na segunda edição do estudo, 411 municípios brasileiros foram analisados a partir de 65 indicadores, distribuídos em 13 pilares temáticos e três dimensões consideradas fundamentais para a melhoria da gestão pública.

Os melhores desempenhos foram na área de educação, com o 5º lugar no quesito “Acesso à Educação” (com avanço de seis posições), 14º lugar em “Qualidade da Educação” (com recuo de seis posições). Em “Acesso à Saúde”, Catanduva postou-se em 20º no ranking, após avançar três colocações, e em 27º em “Qualidade da Saúde”, seis a menos que no estudo anterior.

Outros destaques foram em Saneamento (28º lugar), Capital Humano (65º) – item em que a cidade avançou 195 colocações de um ano para o outro, além de Inserção Econômica (86º).

Já os pontos fracos verificados foram Meio Ambiente (355º lugar), Funcionamento da Máquina Pública (303º) – com queda vertiginosa de 232 posições, Segurança (244º), Inovação e Dinamismo Econômico (139º), Telecomunicações (129º) e Sustentabilidade Fiscal (124º).

Quando analisados apenas os municípios da região Sudeste, Catanduva fica na 29ª posição. A líder do ranking regional e nacional é Barueri, seguida por São Caetano do Sul e São Paulo. Entre os polos regionais, destacaram-se Votuporanga, que aparece em 13º do Sudeste e 19º do país, São José do Rio Preto (17º e 24º), Barretos (22º e 33º) e Araraquara (24º e 38º).

Para o especialista em administração Pública, Fabio Manzano, o ranking representa uma oportunidade para os governantes direcionarem seus esforços nas áreas mais carentes, melhorando a gestão local e, consequentemente, a vida do cidadão.

“Nesse momento, creio que a lição de casa deve consistir em: 1) analisar os quesitos em que tivemos as maiores quedas e; 2) observar os quesitos em que ocupamos as piores colocações e 3) controlar para que os itens de destaque assim permaneçam”, ressalta Manzano.

Entre os itens apontados por ele está o de “Inserção Econômica”, em que Catanduva aparece na 86ª posição nacional, depois de ter regredido 53 colocações. “A perda de postos de trabalho pesou muito, juntamente com o aumento da informalidade. Para reverter esse cenário, é preciso incentivar a instalação de empresas ou a ampliação das já existentes. Também é preciso intensificar o apoio, por exemplo, aos MEI´s, para que eles consigam se formalizar”, indica.

Manzano, que já foi secretário municipal de Desenvolvimento, explica ainda que a prefeitura tem margem para influenciar positivamente, principalmente com relação à formalização da mão de obra. “Catanduva chegou a ser referência na região Noroeste pelo tratamento oferecido aos MEIs. Nossos servidores do Programa “Empresa Agora” davam assistência completa às pessoas que queriam se formalizar, chegando a, efetivamente, fazer serviços contábeis e de consultores jurídicos-administrativos. Precisamos verificar como anda a efetividade deste serviço, que impacta diretamente em trabalhadores formais”, salientou.

O administrador fala, ainda, sobre a queda no quesito “Funcionamento da Máquina Pública”: a cidade é a 303ª entre 411 municípios analisados depois de perder 53 posições. O retrocesso foi influenciado por desempenhos ruins quanto à “Transparência Municipal” e “Qualificação do Servidor”, identificadas pela pesquisa como bastante negativas em Catanduva.

“Há tempos percebemos que a Prefeitura precisa de uma reforma administrativa para enxugar a máquina e dar maior efetividade e qualidade à prestação dos serviços. Nossa administração é lenta e burocratizada. Nossos processos administrativos ainda são totalmente físicos (em papel), temos altíssimos gastos com horas-extras que são alvo de reiterados apontamentos pelo Tribunal de Contas e nossos servidores não tem quase nenhum incentivo à eficiência e à qualidade na prestação de serviços. A meritocracia baseada em resultados para o setor público praticamente inexiste. O servidor medíocre acaba ganhando o mesmo de que um servidor excelente. Isso desmotiva muito os funcionários a se desenvolverem, se qualificarem.”

De acordo com o CLP, “o Ranking de Competitividade é uma ferramenta que busca pautar a atuação dos líderes públicos brasileiros na melhoria da competitividade dos seus estados”. A publicação completa pode ser acessada em https://municipios.rankingdecompetitividade.org.br.