Skatistas de Catanduva celebram resultados do esporte nas Olimpíadas de Tóquio

Cena do skate na cidade começou com Haroldo Carabetti na rua 21 de Abril

Skatistas de Catanduva celebram resultados do esporte nas Olimpíadas de Tóquio

Foto: Divulgação - Fernanda Tabith, campeã paulista e brasileira de longboard, a falta de incentivo é um limitador na descoberta de talentos

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

O skate chegou às Olimpíadas e, sob muita expectativa, rendeu a primeira medalha do Brasil em Tóquio. O paulista Kelvin Hoefler conquistou a prata na final do skate street, no Ariake Park Skateboarding. No dia seguinte, foi a vez de Rayssa Leal, de apenas 13 anos, garantir a medalha de prata – a Fadinha maranhense é a mais jovem da delegação brasileira.

Referência do skate em Catanduva, Alexandre Tizil disse ter sentido a sensação de alma lavada. “Foi uma resposta para essa sociedade brasileira que sempre discriminou o skate, principalmente pelo jeito que aconteceu, o país dependendo do skate pra abrir o quadro de medalhas, onde historicamente o Brasil nunca foi bem”, alfinetou.

O skatista diz torcer para que o resultado reflita positivamente no mercado. “Para que mais sonhos sejam realizados, que apareçam mais Kalvins e Rayssas, que são competidores de skate e batalharam para isso, e também as outras vertentes que formam o skateboarding como um todo”.

Tizil está no mundo do skate desde 1987, na alta do esporte naquela década. Em 1991, começou a encarar como estilo de vida, já no momento em que o skate estava totalmente em baixa. Passou para a categoria profissional em 1994 e, no ano seguinte, assinou o tênis que foi o primeiro Pro Model da história do skate brasileiro, com a Drop Dead Skateboard. 

Defensor do esporte, Tizil diz que as Olimpíadas precisavam mais do skate, do que o sentido inverso. “Eu tinha uma opinião sobre as Olimpíadas antes de ela acontecer, que não mudou muito agora, de que as Olimpíadas precisavam bem mais do Skateboard do que o skate das Olimpíadas, por uma questão de renovação no formato do evento e da força que o skate tem com seus seguidores, praticantes e simpatizantes, e toda a cultura envolvida.”

Em Catanduva, quem também celebrou as conquistas dos talentos brasileiros em Tóquio foi Fernanda Tabith, campeã paulista e brasileira de longboard. Sua ligação com o esporte começou na infância, teve um breve distanciamento na adolescência e foi retomado em 2011, quando ela foi apresentada ao longboard – modalidade não tão conhecida, mas sua paixão até hoje.

Tabith participou do programa Curvas e Ladeiras, do canal Off, depois de gravar um vídeo em Paraty-RJ, em 2013. “Esse vídeo abriu uma porta gigantesca. Eram cinco meninas, a gente viajou pelo Brasil para conhecer ladeiras e andar de skate”, conta.

Sobre a inclusão do skate nas Olimpíadas, a esportista diz que é um elemento fundamental para o crescimento do esporte. “Infelizmente ainda tem uma imagem negativa, relacionando o skate a drogas. Essa inclusão veio para quebrar muito isso, vai ser fundamental para desmarginalizar o skate e mostrar para todo mundo que é um esporte maravilhoso, que precisa de muita determinação e disciplina. Skate salva vidas, muita gente veio de baixo e subiu na vida.”

Para Tabith, a falta de incentivo é um limitador na descoberta de talentos. “Posso falar por mim, nos circuitos que participei, paulista e brasileiro, que me bancou fui eu e meus pais ajudaram. Graças a Deus tive a oportunidade, mas muita gente não tem isso. Por isso que é importante uma marca ajudar um atleta, de levar para campeonato, competir, crescer dentro do skate”. Segundo ela, o sonho de todo skatista é justamente fazer parte do time de uma marca.

As medalhas conquistadas em Tóquio, na visão da catanduvense, servirão de exemplo para crianças e jovens. “A Rayssa vai servir de exemplo para muitas meninas, o skate feminino foi muito comentado por ela ser uma criança, uma grande visibilidade, veio para mostrar pra muita gente que o skate é um esporte fantástico e que, inclusive, hoje, é possível assinar uma carteira de trabalho como skatista profissional – e isso foi uma conquista gigante para o skate.”

CENA EM CATANDUVA

Para Alexandre Tizil, a cena do skate sempre foi muito precária. “Uma referência foi a rua 21 de Abril, onde o Haroldo Carabetti morou e ali começou uma cena que praticamente foi a base para o que acontece hoje, como o surgimento da pista, a reforma. Eu tive duas skateshops aqui e fizemos alguns eventos, vídeos e outros movimentos para fortalecer a cena. No momento estou atuando no Safra 90, uma mídia, skate shop física e on-line, e uma skatepark indoor”, revela o skatista. Outro projeto que deve sair do papel é uma escola de skate.

Já para Fernanda Tabith, a cena do skate em Catanduva sempre foi ativa com relação a pessoas andando de skate, não quanto a campeonatos e eventos. “Temos nomes que qualquer skatista do país vai conhecer, como o Haroldo Carabetti, o Alexandre Tizil, muita gente que está dentro da cena do skate há muito tempo”, diz.

A própria Fernanda é proprietária de uma loja do ramo e organizou campeonatos: o Skate For Fun e o Game of Skate. Ela lamenta, apenas, a falta de estrutura esportiva para adeptos do esporte. “Quem vai na pista sabe o estado que está.”