Inclusão na escrita e leitura: Dia Mundial do Braille é celebrado nesta terça-feira

Data é dedicada à reflexão sobre a importância de mecanismos que favoreçam as pessoas cegas

Inclusão na escrita e leitura: Dia Mundial do Braille é celebrado nesta terça-feira

Foto: DIVULGAÇÃO - Pedagogas do IDVC explicam surgimento e a importância do Braille

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local
Publicado em 04/01/2022

Nesta terça-feira, dia 04 de janeiro, é comemorado o Dia Mundial do Braille. A data é dedicada à reflexão sobre a importância de mecanismos que favoreçam o desenvolvimento das pessoas cegas ou com baixa visão.

Os dados oficiais mais recentes sobre a presença de pessoas com deficiência visual no Brasil são do Censo de 2010. Segundo o levantamento, cerca de 24% da população tinham algum tipo de deficiência naquele momento, o que correspondia a 46 milhões de brasileiros.

De acordo com o Relatório Mundial sobre Visão 2019, da Organização Mundial da Saúde (OMS), 2,2 bilhões de pessoas têm algum tipo de deficiência visual, sendo 1 bilhão com uma condição que poderia ser prevenida ou tratada.

Em entrevista ao Jornal O Regional, Luciana Andréo e Marcela Delgado Gomes Vieira, pedagogas do Instituto dos Deficientes Visuais de Catanduva (IDVC), falaram sobre o surgimento do Braille.

“É um sistema de escrita utilizado para garantir que pessoas cegas ou com baixa visão possam ler. Surgiu no século XIX, na França, e foi criado por um jovem estudante chamado Louis Braille. Atualmente, é padrão no mundo, sendo utilizado por milhões de pessoas cegas. Chegou ao Brasil em 1854, por meio de um estudante chamado José Álvares de Azevedo. Um acidente ainda na infância mudou radicalmente a vida de Louis Braille. Quando tinha três anos de idade, enquanto brincava com as ferramentas de seu pai, acidentalmente uma sovela atingiu seu olho, a infecção, depois de 6 meses atingiu o outro olho e aos cinco anos ele ficou totalmente cego.”

Luciana e Marcela explicam como surgiu o mecanismo de aprendizagem. “O código criado por Barbier foi um pedido de Napoleão Bonaparte para que os soldados franceses pudessem ler as ordens recebidas no escuro. Esse sistema de comunicação de Barbier usava pontos e traços e era conhecido como “escrita noturna”. Braille conheceu o método de Barbier aos doze anos de idade. Ele dedicou os anos seguintes de sua vida a estudá-lo e, em 1824, quando tinha quinze anos, apresentou um método alternativo. Ele se inspirou na criação de Barbier, mas resolveu melhorá-la. Surgia então o Braille. Primeiro, eliminou os traços, para evitar erros de leitura: em seguida, criou uma célula de seis pontos, divididos em duas colunas de três pontos cada, que podem ser combinados de 63 maneiras diferentes formando todos os símbolos que são necessários para a escrita, tanto de textos como na matemática e notas musicais. De acordo com o idioma, surgem os sinais de acentuação e pontuação.

O braile é lido passando-se a ponta dos dedos sobre os sinais de relevo. Normalmente usa-se a mão direita com um ou mais dedos, conforme a habilidade do leitor, enquanto a mão esquerda procura o início da próxima linha.

As pedagogas destacam a importância do mecanismo. “O Braille permite o acesso a comunicação escrita, a educação, o trabalho, a vida social e a cultural da pessoa cega e baixa visão. Há vários instrumentos para escrever os símbolos, sendo o mais fácil e mais rápido a máquina de escrever braille ou máquina de escrita braille. Ela tem seis teclas, que correspondem a cada um dos seis pontos da unidade da cela, é escrito em um papel mais grosso para não ser perfurado pela maquina e para suportar a leitura, e para que a ponta dos dedos possa perceber o relevo.”