Companhia Azul Celeste faz estreia nacional de ‘Tudo a Fazer’ no Sesc Rio Preto

Grupo já apresentou 10 espetáculos em Catanduva entre os anos 1990 e 2015

Companhia Azul Celeste faz estreia nacional de ‘Tudo a Fazer’ no Sesc Rio Preto

Foto: Ricardo Boni - Espetáculo 'Tudo a Fazer' terá estreia nacional nos dias 10 e 11 de dezembro

Da Reportagem Local
Publicado em 03/12/2021

Foi por meio de reuniões on-line que a Companhia Azul Celeste se manteve ativa durante os períodos de isolamento social ao longo da pandemia da Covid-19. O que antes era um lugar de encontro, de calor humano, de presença e troca entre público e artistas da companhia, tornou-se uma conexão entre corpos pensantes diante das telas dos computadores e smartphones. 

E foi nesse cenário digital que surgiu o novo projeto 'Tudo a Fazer' – com dramaturgia inédita de Alexandre Manchini Jr. e Jorge Vermelho, produzida desde abril de 2020, com estreia nacional marcada para os dias 10 e 11 de dezembro no Sesc Rio Preto. A direção conjunta conta com a premiada atriz Georgette Fadel e o ator e diretor da Azul Celeste, Jorge Vermelho.

O texto do espetáculo é uma bricolagem produzida a partir da obra “O último Godot”, de Matéi Visniec, traduzido por Roberto Mallet. Com excertos de Adolfo Bioy Casares, Albert Camus, Dante Alighieri, Franz Kafka, Guillermo Calderón, Hannah Arendt, Henry Thoreau, James Joyce, Jean Barrault, Johann W. Von Goethe, Jorge Luis Borges, Joseph Campbell, Karl Valentim, Parmênides, Luigi Pirandello, Samuel Beckett e Theodor Seuss Geisel.

Com 1 hora e 15 minutos de duração e não recomendado para menores de 14 anos, o espetáculo aborda um encontro inusitado a ponto de alterar o curso da história, acompanhado por transeuntes espectadores, que observam atentamente os atores em cena.

Num beco, próximo à saída de serviço de um teatro, duas pessoas dialogam sobre questões alusivas ao próprio teatro e confrontam pensamentos acerca da existência, gerando um embate filosófico sobre o ser e o não-ser. Com o transcorrer da conversa, descobrem que esse encontro pode se tornar, ainda, um acerto de contas.

O diretor da Azul Celeste, Jorge Vermelho, ressalta que embora já houvesse adaptações do teatro para as plataformas de tecnologia antes de pandemia, foi um exercício de adaptação importante para manter as produções culturais ativas mesmo sem as possibilidades de contato com o público e até entre os integrantes da companhia.

“Para se ter ideia dos desafios, a preparação vocal desta nova montagem foi realizada 100% on-line com a nossa preparadora Babaya Morais, em Belo Horizonte, e cada um de nós em nossas casas. Esse tempo de distanciamento físico foi importante para o processo criativo e preparatório, porém estamos empolgados neste período de ensaios presenciais e ainda mais, voltar aos palcos com o público na plateia”, confidencia.

O projeto foi contemplado no Proac Expresso LAB 47/2020 - Prêmio pelo histórico em teatro - Lei Aldir Blanc - Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa, Governo de São Paulo, e Secretaria Especial de Cultura - Ministério do Turismo, Governo Federal. Informações sobre ingressos serão divulgadas no portal https://url.gratis/JKDJz7.

A COMPANHIA

A Companhia Azul Celeste foi fundada em março de 1989 pelos atores Jorge Vermelho e Cássio Ibrahim, em São José do Rio Preto. Os dois, inquietos e provocados, queriam criar no interior do Estado um grupo que pudesse servir de instrumento para a pesquisa das linguagens cênicas e suas possibilidades. A partir desse encontro, profissionais foram incorporados à equipe e teve início um trabalho investigativo sobre as diferentes etapas da criação.

Até o ano 2020, a Azul Celeste montou 28 espetáculos e participou de eventos e festivais brasileiros, conquistando inúmeros prêmios nacionais de teatro. Atualmente, a companhia desenvolve pesquisa sobre a dramaturgia brasileira contemporânea e busca o aprimoramento técnico e teórico de seus integrantes por meio de encontros, leituras, debates e seminários.

A companhia já apresentou 10 espetáculos em Catanduva: Doroteia - 1990, O céu uniu dois corações - 1991, Toda nudez será castigada - 1994, Aquele que diz sim e aquele que diz não - 1995, Dona Lustrosa - 1996, Coração Materno - 1997, Guerreiros da Bagunça - 1998, Orpheu - O guardador de rebanhos - 2001, Cem gramas de dentes - 2006 e Mundomudo - 2015.