Artista visual instala escultura contemporânea no Jardim do Teatro Municipal

Estrutura ganhou o nome de Viver Arte e foi custeada com recursos públicos

Artista visual instala escultura contemporânea no Jardim do Teatro Municipal

Foto: MÁRCIO COSTA - Praça do Teatro Municipal foi escolhida para receber peça artística

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicada em 16/10/2021

A criação artística pode chegar aonde a imaginação e a criatividade alcançarem. Novas formas e significados para objetos obsoletos. Carcaças, arames, recortes de aço geralmente são instrumentos descartados, mas, ao cair nas mãos de artistas, ganham novo sentido. A ideia de sucata tem muito a ver com os artistas da vanguarda modernista, que os retiram do cotidiano e elevam ao status de obra de arte, ao modificar sua função.

Para a artista visual Gisele Faganello, contemplada pela Secretaria Municipal de Cultura com recursos da Lei Aldir Blanc através do Edital de Incentivo as Artes - Projeto 001/2021, e que acaba de entregar a escultura pública 'Viver Arte', recém-instalada no jardim do Teatro Municipal, o importante no processo é contextualizar e focar nas etapas de preparo de suas esculturas - analisar os itens a serem utilizados, estudar tintas e seus elementos químicos, combinação das cores, aprender a manusear ferramentas.

Gisele também exalta a variedade de técnicas de escultura que permitem uma viagem ao tempo dos grandes artistas dessa linguagem. Obras cinéticas e tecnológicas chamam à reflexão sobre a arte contemporânea.

“Todo material que é produto de resíduo descartado, passível de reciclagem, é sucata. Quando pensamos em esculturas, é comum imaginarmos estátuas gregas antigas, pois é uma imagem imortalizada no tempo. Agora, se pensarmos em nossa civilização, séculos 20 e 21, observaremos um contraponto àquele ideal de beleza da Antiguidade: uma característica de nossa sociedade é o consumo desenfreado e a produção de lixo. Antes mesmo de travarmos contato com o conceito de reciclagem, artistas já estavam reutilizando materiais que foram descartados, as sucatas, e produzindo suas obras”, afirma.

"A compreensão da escultura contemporânea permite explorar alternativas que substituam artigos caros, propor situações com base no dia a dia”, acrescenta a catanduvense.

Muitos artistas no século 20, especialmente os ligados aos movimentos concretista e neoconcretista, como Amílcar de Castro e Lygia Clark, passaram a questionar a própria matéria-prima utilizada na fabricação de esculturas. Ao invés de derreter o metal, esses artistas propõem dobras e cortes de chapas de metal. Com isso, formam objetos de arte tridimensionais e que se relacionam com o espaço, princípio básico da escultura.

“Eu optei por cortes e junções de peças”, conta Gisele, que utilizou de 3 a 4 toneladas de materiais, com muitas peças de aço. Ela lembra: “As pessoas definem esse tipo de peças escultórica como arte contemporânea carregada de muita poesia.”

SONHO

Gisele conta que uma das marcas das cidades avançadas em todo o mundo é a quantidade de esculturas e estátuas espalhadas por seus espaços públicos. “Modernas ou clássicas, elas levam arte e beleza às ruas e praças e atraem a atenção de moradores e turistas. Meu sonho era ter uma escultura contemporânea a céu aberto em Catanduva”, comenta a artista.

Ela diz que caminhar pelas ruas de grandes cidades e deparar-se com esculturas toca sua sensibilidade. “Daí, em minha trajetória artística incluí a escultura pública em meu recente projeto. Vermelha, de forma abstrata, queria criar uma peça de arte cheia de formas e personalidade. Esse vem sendo meu objetivo. Agora fica o incentivo, que após esta peça moderna, outros artistas se habilitem a embelezar a cidade.”