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Usina relata prejuízos causados por incêndios ao Meio Ambiente, à saúde e à colheita

Erosão do solo e eliminação de predadores naturais estão entre as consequências

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Foto: Arquivo O REGIONAL - Maioria dos incêndios é causada por ato criminoso ou imprudência humana

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

As altas temperaturas, ventos fortes e o tempo seco compõem o cenário ideal para a ocorrência de incêndios entre os meses de julho e setembro. Mas são os registros criminosos ou ocasionados pela imprudência do ser humano – ao jogar uma bituca de cigarro ou atear fogo em lixo de área rural, por exemplo – que preocupam ambientalistas e também empresários.

“Nessa época de vento, estiagem prolongada, umidade relativa do ar baixa, o fogo acaba alastrando, passando para as vegetações. Infelizmente, tem também o pessoal que é maldoso, que quer prejudicar e põe fogo em vegetação propositalmente”, esclarece Anderson Rodrigo Robes, Supervisor de Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da Usina Nardini.

Segundo ele, é preciso diferenciar as queimadas dos incêndios. ”Queimada era uma prática adotada como método facilitador, pré-colheita. Era controlada, feita no período noturno, com bombeiros. Hoje nós não utilizamos esse método, ele foi sanado desde 2017, com o protocolo etanol mais verde, protocolo agroambiental. Já os incêndios têm origem desconhecida e são descontrolados”.

O profissional afirma que são muitos os impactos negativos dos incêndios, sobretudo na flora e na fauna silvestre (muitos animais morrem queimados). “Também são muito prejudiciais à questão da qualidade do ar, prejudicando toda a comunidade, ninguém ganha com isso, todos saem perdendo”, alerta.

“Um dos pontos mais críticos quando acontece um incêndio é a emissão de gás de efeito estufa na atmosfera – gás carbônico, monóxido de carbono, óxido nitroso, metano e a formação do ozônio, além da poluição do ar atmosférico pela fumaça e fuligem”, completa Nayara Jassyani Difrogi, analista Ambiental da Nardini.

Além disso, a própria usina tem uma série de prejuízos com os incêndios. “Acabam eliminando, queimando a matéria orgânica que poderia ficar exposta no solo para preservar a umidade, a gente deixa de trazer essa palha para utilizar na cogeração de energia, infelizmente são só prejuízos mesmo, têm lugares onde, se você pega uma palhada com uma rebrota, você diminui a produtividade do canavial”, indica Rodrigo.

Outras consequências dos incêndios são a aceleração do processo de erosão do solo, agravada pela falta de cobertura vegetal e a diminuição do equilíbrio ecológico.

Sobre os prejuízos agronômicos decorrentes de incêndios, Daniel Assis, supervisor de Operações Agrícolas da Nardini, aponta a “eliminação de predadores naturais, como algumas pragas, gerando a necessidade do uso de agrotóxicos e herbicidas para controle de ervas daninhas que se desenvolvem rapidamente após a queima. Se o incêndio acontece em áreas já tratadas com adubo, herbicida e controle de pragas, tudo isso é perdido e precisamos refazer”.

Além disso, este ano está mais seco, em relação aos anteriores, conforme Daniel. “Numa área incendiada, até a brotação é dificultada, chega a ocorrer a perda do canavial. Em anos com mais chuva, o canavial brotaria de novo, mas na condição desse ano, se pega fogo no canavial, dificilmente vai brotar, então o prejuízo é muito grande, tanto agronômico, quanto ambiental. Quando a temperatura chega a mais de 100 graus, a atividade biológica do solo é gravemente afetada, consequentemente, a fertilidade dele.”

DENUNCIE

A maior parte dos focos de incêndios em canaviais originam-se nas áreas paralelas a rodovias ou regiões de fácil acesso da população. Ao avistar fogo em vegetação, a orientação é entrar em contato com a usina mais próxima ou diretamente ao Corpo de Bombeiros.

"Qualquer fumaça suspeita ou foco de incêndio em cana ou em mata, deve ser comunicada imediatamente ao corpo de bombeiros ou à usina mais próxima, hoje as usinas têm estrutura específica para realizar o controle adequadamente”, complementa Nayara.