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Sapateiro há 40 anos, Géther quer repassar conhecimento para a profissão não morrer

Profissional pede para que ofício seja ensinado de graça para que não seja extinto

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Foto: O REGIONAL - Sapateiro vem todos os dias para Catanduva atender as cidades da região

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local
Publicado em 24/10/2021

Nesta segunda-feira, 25, é celebrado o Dia do Sapateiro, uma das profissões mais antigas que existem. Em entrevista ao Jornal O Regional, Géther Luis Santinon, de 61 anos, pede para que a profissão seja ensinada de forma gratuita para que não seja extinta.

“Dos anos 2000 para cá não pode mais um jovem aprender a profissão de sapateiro porque sofre bullying na escola. Estão faltando pessoas com esse conhecimento na região inteira. Eu não tenho para quem passar o que sei e não tem ninguém na sociedade que tenha a iniciativa para darmos aula gratuitamente para que a profissão não morra.”

Géther é sapateiro desde 1981. Iniciou como aprendiz, confeccionando botas para rodeio e sapatos sociais. Atualmente, em um ponto da rua Pernambuco, ele realiza consertos de sapatos, bolsas, joias, entre outros produtos.

“Fui a um sapateiro que tinha perto de casa e fiquei olhando ele trabalhar, aí no dia que marquei meu casamento, meu avô ficou sabendo que tinha ido ao local e me ofereceu de presente o curso. Fiquei no curso durante 90 dias e comecei a seguir sozinho. As pessoas vêm para conserto de mala de viagens, bolsas escolares, blusas de frio para troca de zíper, recuperação do tecido. Além de conserto em relógios, braceletes, correia de sanfonas, instrumentos musicais. Nunca sei o que aparece na porta, mas o que aparece em poucos minutos apresento uma solução”, relata.

Natural de Santa Adélia e morador de Agulha, Géther vem todos os dias para Catanduva atender as cidades da região. “Fui bem aceito pela sociedade catanduvense, aprendi demais e tenho muita coisa para fazer de bem para o próximo, tudo o que é de uso pessoal do ser humano tenho dom do conserto. Ando 90 km para exercer o meu dom na cidade que sempre sonhei; sempre sonhei com uma cidade movimentada, mas nunca tive condições de estar aqui, até que dia 19 de setembro de 2008 ganhei uma moto e hoje realizo meu sonho.”

Apesar da pandemia, ele diz que o trabalho continuou. “Consegui trabalhar por telefone, o movimento não caiu, é uma profissão que não caiu mesmo neste momento difícil”, garante.

ORIGEM DA DATA

A data faz homenagem a dois santos: São Crispim e São Crispiniano, considerados os padroeiros dos sapateiros. De acordo com os relatos cristãos, Crispim e Crispiniano eram dois irmãos cristãos que teriam vivido em Soissons, na França, por volta do século III.

Durante o dia ambos saíam pelas ruas pregando o cristianismo e de noite trabalhavam como sapateiros, para conseguirem se sustentar. Na época, o Império Romano perseguia os cristãos e, como consequência, os irmãos foram assassinados por ordem do imperador.