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Moradora exibe abaixo-assinado em vídeo após denúncia contra a Brumau

Documento ao qual a reportagem de O Regional teve acesso possui quase 90 assinaturas

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Foto: ARQUIVO PESSOAL - Poeira amarela cobre veículos e móveis na Vila Engrácia, no entorno da fábrica

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

Reportagem produzida pelo Jornal O Regional chamou a atenção de Carina Rosa Lopes, moradora da Vila Engrácia, que gravou depoimento em vídeo para confirmar declarações dadas por uma vizinha e apresentar um abaixo-assinado contra a empresa Brumau.

“Estou gravando este vídeo para confirmar todas as informações que a outra moradora declarou em entrevista ao jornal. Resido neste bairro há mais de 4 anos e desde que moro aqui o problema é o mesmo e persiste”, explicou Carina na gravação.

Ela confirmou que a poeira lançada pela fábrica é característica do processo industrial. “A empresa lança uma fuligem, uma poeira, um material particulado, extremamente oleoso, principalmente na calada da noite, no início da noite, onde eles acreditam que ninguém vai notar, ninguém vai ver, ou que talvez passe mais desapercebido.”

A moradora disse enfrentar os mesmos problemas já relatados na reportagem inicial. “Não é possível deixar roupas no varal de um dia para o outro secando, não é possível deixar portas e janelas abertas porque se a poeira estiver lá fora e a gente não tiver limpado acaba entrando nas nossas casas. Os pisos, janelas, as portas, os carros estão ficando encardidos, porque precisam ser lavados constantemente e a gente não condição de estar lavando todo dia.”

Segundo Carina, a empresa faz contato com alguns moradores, pede fotos, pergunta como foi a noite, que nível de poeira está. Eles também já teriam apresentado um projeto para sanar os problemas. Carina diz que o projeto parecer ser bom, que poderia resolver os problemas, mas que desde o ano passado não saiu do papel – aparentemente por falta de recursos.

A jovem diz ainda que, com o clima seco do Inverno, a situação está ainda mais grave. Ela clama por ajuda: “A gente não consegue respirar, se sente sufocado. Então venho solicitar encarecidamente – socorro. Os moradores da Vila Engrácia estão pedindo socorro. Socorro à Cetesb, socorro à Promotoria do Meio Ambiente, à Prefeitura, ao prefeito, ao jornal. A gente já não sabe mais a quem recorrer. A gente está pedindo socorro, alguma coisa precisa ser feita.”

ABAIXO-ASSINADO

Os moradores da Vila Engrácia apresentaram denúncia na Cetesb, em São José do Rio Preto, e na Promotoria de Meio Ambiente. O documento ao qual a reportagem de O Regional teve acesso possui quase 90 assinaturas. “Temos um relatório fotográfico com várias fotos de várias moradias, de várias datas, relatando o mesmo problema”, completa Carina.

Procurada pela reportagem, a empresa Brumau, que atua no comércio de Óleos Vegetais e é líder em todos os segmentos do amendoim, preferiu não se manifestar. Os pedidos foram feitos de forma presencial na empresa e também via e-mail.

A Cetesb – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, responsável pela fiscalização, também foi procurada por e-mail para sua unidade em São José do Rio Preto, que direcionou o pedido à Assessoria de Imprensa em São Paulo. Não houve resposta.