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Médica diz que redução da natalidade está relacionada à realidade do dia a dia

Diminuição das famílias também envolve fatores socioculturais

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Foto: ARQUIVO PESSOAL - Especialista diz que mudanças na pirâmide etária são evidentes desde os anos 1980

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

O achatamento da população em idade escolar, revelada em estudo da Fundação Seade apresentado na edição de ontem de O Regional, evidenciou o processo de envelhecimento da sociedade e a redução das taxas de natalidade. Esses fenômenos, segundo a médica ginecologista e obstetra Márcia Rebellato, estão relacionados a fatores socioculturais e à realidade atual.

“Tem o fator sociocultural, as pessoas estão tendo mais informação, e a própria realidade do dia a dia mostrando o quanto é difícil, caro e dispendioso emocionalmente você cuidar de uma criança”, avalia.

Segundo ela, o acesso mais facilitado a métodos contraceptivos também colabora para o controle familiar, com a consequente redução do número de nascimentos. “As pessoas estão tendo acesso a todos os tipos de anticoncepcionais e camisinhas para saber como evitar, a gente tem o Diu, os meios de cirurgia, laqueadura e vasectomia, e cada um avalia se quer ter mais filhos ou não.”

O processo de envelhecimento da sociedade, diz Márcia, está em andamento mais acentuado desde a década de 1980, quando as mudanças na pirâmide etária começaram a ficar evidentes.

“Desde que eu estava na escola do primário, os estudos do IBGE já demonstravam pra gente que o futuro da humanidade e do mundo é o envelhecimento, devido ao aumento da expectativa de vida”, comentou.

A PESQUISA

A população em idade escolar diminuiu 28,3% em Catanduva, entre os anos 2000 e 2021, de acordo com projeção elaborada pela Fundação Seade. Também houve redução na participação desse público de crianças e adolescentes com relação ao total de habitantes do município.

Catanduva contabilizava 24.894 moradores de 4 a 17 anos no ano 2000, para uma população estimada em 105.695 habitantes. A participação no todo era de 23,5%. Já em 2021, os números são estimados em 17.845 crianças e adolescentes entre 117.414 pessoas – participação de 15,2%.