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Jovens são menos de 7% dos empreendedores e os que mais lutam contra o desemprego

Incentivo ao empreendedorismo pode reduzir falta de renda dos brasileiros de 18 a 24 anos

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Foto: DIVULGAÇÃO - Estudo detectou que donos de negócios com até 24 anos são os menos formalizados

Da Reportagem Local
Publicado em 10/11/2021

Os jovens são os que mais têm dificuldades de conseguir uma fonte renda no Brasil, seja por meio da obtenção de um emprego ou pelo empreendedorismo. De acordo com o estudo Empreendedorismo Jovem no Brasil, realizado pelo Sebrae com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do IBGE, no segundo trimestre de 2021, apenas 6,8% dos empreendedores brasileiros eram jovens entre 18 e 24 anos, o que corresponde a aproximadamente 1,9 milhão de pessoas.

A pesquisa revela também que vem ocorrendo uma queda da participação dos jovens no empreendedorismo nos últimos cinco anos. Em 2016, eles correspondiam a 7,2% dos empreendedores brasileiros e no auge da pandemia do coronavírus a participação deles caiu para 5,8%, o menor patamar do período.

“No segundo trimestre de 2020 o Brasil perdeu cerca de 464 mil empreendedores jovens, mas com a melhoria de cenário, após um ano, cerca de 446 mil pessoas desse grupo entraram ou retornaram a essa atividade”, observa o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

Além da baixa participação dos jovens no empreendedorismo, eles também são os que mais sofrem com a falta de emprego. Entre os brasileiros dessa faixa etária, a taxa de desemprego, historicamente, é duas a três vezes superior à média do país e na pandemia superou a marca dos 31%.

“A falta de experiência e capacitação são dois fatores que influenciam fortemente esse resultado, seja porque isso dificulta a obtenção de um emprego ou porque eles não foram preparados para investir em um negócio próprio”, observa o presidente do SEBRAE.

Melles destaca que esse levantamento realizado pelo SEBRAE revela a necessidade de implementação da Educação Empreendedora nas escolas e a criação de políticas públicas que incentivem e apoiem os jovens para serem donos de seus próprios negócios. “Sabemos que a educação empreendedora pode melhorar muito esses indicadores e, por isso, temos trabalhado em parcerias com o Ministério da Educação, governos estaduais e municipais e entidades ligadas à educação”, ressalta.

O estudo detectou ainda que os donos de negócios com até 24 anos são os menos formalizados. Enquanto nas outras faixas etárias a formalização gira em torno de 30% a 35%, entre os jovens apenas 16% têm CNPJ. Eles também são os que menos contribuem para a Previdência Social: 17%.

Além disso, entre aqueles com até 24 anos, é maior a proporção dos que ganham menor rendimento: 66% têm renda de até um salário-mínimo, percentual 14 pontos acima dos empreendedores com mais de 65 anos, que são os que apresentam o maior rendimento.