< Back

Invisíveis na área central, moradores de rua são retirados após denúncia

Grupo alegou falta de apoio do poder público e de oportunidades

Image-empty-state_edited_edited_edited.p

Foto: O REGIONAL - Colocação de tapumes foi alternativa dos proprietários para restringir acesso dos moradores de rua

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

Flagrante feito pela repórter Vanessa Benevenuto sobre a situação de pessoas em situação de rua, na semana passada, mobilizou equipes do Centro Pop e da Defesa Civil. O local que servia de abrigo foi interditado e os moradores retirados do local.

A suposta falta de apoio foi o centro do discurso do grupo de moradores de rua em vídeo veiculado nas redes sociais do Jornal O Regional. “Não estou tendo apoio do padre Osvaldo, muito menos de nenhuma assistente social. Falaram que eles iam suprir uma necessidade de alimentação, mas eu tenho que pedir esmola”, afirmou um deles.

“Sou soldador, tenho carteira de trabalho, só que ninguém está dando oportunidade mais não. Eu queria voltar a trabalhar. Se voltar, eu vou ficar muito feliz”, declarou outro. “Trabalhei como motorista, porteiro, mas meu final foi esse. Fome não passo, porque o povo é acolhedor, mas termino dormindo em uma calçada”, relatou o terceiro.

A exibição do conteúdo causou indignação em duas famílias que, em contato telefônico, declararam que os homens, hoje moradores de rua, tiveram todo o apoio para seguir a vida, mas foram vencidos pela dependência química. Os relatos envolvem tentativas de internação, prejuízos financeiros e até agressões durante períodos de crise.

Contrapondo as afirmações dos moradores de rua, a secretária municipal de Assistência Social, Marcela Alvares, disse que os serviços de acolhimento funcionam todos os dias da semana, sobretudo na Casa de Passagem – chamada por eles de albergue.

“O atendimento dessa população é iniciado pela abordagem social feita pelo Consultório de Rua, em que eles vão até esses locais onde a população em situação de rua está, oferecem todos os serviços, como banho, alimentação, higiene e saúde”, explicou.

Na Casa de Passagem, há o acolhimento institucional. “Eles podem passar a noite no local, oferecemos passagem de ônibus para as pessoas que chamamos de migrantes, que estão no município por um período curto e não tem interesse em permanecer.”

A questão, segundo ela, é que os moradores de rua precisam aceitar o acompanhamento e o acesso aos serviços – não podendo ser obrigados a fazê-lo. A profissional garantiu que os indivíduos exibidos na reportagem já passaram por atendimento nos equipamentos sociais.

“O trabalho com a população de rua é um dos mais delicados. Eles já passaram por sofrimentos muito grandes, então muitas vezes eles não aderem ao serviço no momento que a gente acha que eles deveriam aderir. Por isso que o serviço está disponibilizado sempre para que no momento que aquele indivíduo sentir que está preparado para mudar de vida, a gente está ali para abraçá-lo e fazer o melhor e o possível para que ele saia dessa situação e tenha condição de cidadania e dignidade”, ressaltou Marcela.