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Especialista em negócios dá dicas de como agir diante do endividamento da empresa

Douglas Duek ensina como entender os sinais de alerta em cenários de crise

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Foto: Divulgação - CEO diz que as empresas com mais dívidas tendem a ter baixa perspectiva de geração de caixa

Da Reportagem Local

A pandemia do novo coronavírus trouxe diversos desafios para a vida de todos, em todas as esferas. Quando se fala no futuro das empresas, não é diferente. O Banco de Compensações Internacionais (BIS) mostrou em relatório recente que, neste cenário, companhias brasileiras terão de quitar dívidas pelos próximos dois anos, com valores correspondentes a 45% de seu lucro líquido. Entre os sete países emergentes analisados, esse foi o maior índice apresentado.

Douglas Duek, fundador e CEO da Quist Investimentos, empresa com 13 anos de atuação em recuperação judicial e reestruturação, conta que mesmo com previsão de débitos, é possível traçar um planejamento que ajude a empresa a continuar, com fôlego, suas atividades, além de se manter atento aos sinais de maior gravidade.

Duek explica que as empresas com mais dívidas tendem a ter baixa perspectiva de geração de caixa. E é aqui que vai a primeira dica: apertar os cintos. “O primeiro passo, em tempos de medidas restritivas que vão e voltam, é tentar diminuir os custos ao máximo, seja com redução funcionários, negociação de aluguéis, trabalho remoto ou híbrido e outras coisas. A empresa entrará em outro patamar, mas terá custos proporcionais”, conta.

A segunda dica é prestar atenção no fluxo financeiro da empresa, que em casos um pouco mais sérios, pode necessitar de uma reestruturação. Dívidas atrasadas, de várias naturezas, seja trabalhista, com bancos, fornecedores, entre outros, mostram que é hora de pensar em caminhar pelo trajeto da reestruturação. “Dificilmente, a companhia vai conseguir negociar com todos os credores, de uma vez só e de maneira rápida. Essa é uma opção”, afirma.

Segundo o Serasa Experian, os pedidos de recuperação judicial e falências aumentaram 48,4% em maio de 2021, comparado ao mês anterior. Isso mostra que, antes de fechar as portas, é possível tentar o soerguimento.

O CEO aponta que esse é um recurso importante, e também pode ser considerado como mais uma dica. Ele sugere avaliar a situação da empresa e estudar as soluções da recuperação judicial e comenta: “algumas delas podem ajudar? Caso sim, é hora de considerar a possibilidade”. As principais delas, segundo Duek, são: alongamento de dívidas, prazos que se adaptam à capacidade de pagamento da empresa, venda de ativos, busca por investidores, entre outras.

Nesta fase, em que as projeções mostram situações mais delicadas não só para as empresas, mas também para finanças pessoais, Douglas indica mais dois caminhos: pensar em planejamentos a longo prazo, com avaliação criteriosa de oportunidades e riscos em tempos de crise e preparar planos secundários, para os casos de imprevistos.

“Conhecer fielmente o fluxo financeiro da sua empresa, estar atento às tendências e se atualizar continuamente sobre o mercado também é importante”, finaliza.