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Escolas municipais superam barreiras e valorizam inclusão social nas atividades remotas

Atendimento para alunos surdos é feito de forma virtual duas vezes por semana

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Foto: Reprodução - Arthur participa de aulas virtuais e seus pais, que também são surdos, monitoram atividades

Da Reportagem Local

Atividades com foco na inclusão social têm reforçado os ensinamentos nas escolas municipais de Catanduva e promovido a integração de alunos e famílias, mesmo com aulas à distância.

Patrícia Pereira Ângulo Vilarinho é professora de Libras nas escolas Graciema Ramos da Silva, Luzia Aparecida Sestito Gradella e Claudiomar Couto. A educadora tem ampla experiência na área e conta que atua com três alunos surdos na rede municipal.

O Arthur, que está no terceiro ano do Ensino Fundamental, que tem pais surdos, a Nicoly, do primeiro ano do Ensino Fundamental e o André, que retomou os estudos na Educação de Jovens e Adolescentes, EJA e atualmente está no quarto ano do Ensino Fundamental, aos 35 anos.

“O André é um aluno que veio de outro estado e que chegou para a gente em 2019 e não tinha nenhum tipo de comunicação, não utilizava nenhum tipo de sinal convencional. Ele mesmo havia criado uma forma de se comunicar e hoje, interage de uma forma extremamente positiva comigo e com a comunidade surda, da qual o coloquei em contato”, destaca a educadora.

O atendimento para os alunos surdos é feito de forma virtual, duas vezes por semana. “No caso do Arthur e da Nicoly, que são crianças, trabalhamos a introdução do alfabeto em Libras, a comunicação e a linguagem de sinais do cotidiano e a parceria com as professoras das salas de aula, coordenadores e a secretaria de Educação que nos dá uma abertura muito bacana para esse trabalho”, comenta Patrícia.

No caso do aluno Arthur, os pais também são surdos e graças a esse contato, conseguem saber quais são as atividades desenvolvidas com o filho, além de fazerem o acompanhamento.

“Agora, com a volta às aulas presenciais, vamos inserir outro tipo de trabalho de inclusão desses alunos juntos nas salas de uma forma adaptada, inclusive com o material visual do alfabeto em libras e o contato com os demais alunos da sala e professores”, complementa.

A professora de Libras Luciana Mendonça Rossi atua nas escolas Carlos Alberto Spina e Gabriel Hernandez. Ela explica a importância da família no processo da educação e em especial da aluna Manuela, cuja mãe, a Jéssica, é surda.

“Antes da mãe ter esse acesso, pela linguagem de sinais, ficava uma situação desconfortável. A filha dela é uma criança bem ativa, esperta, presta atenção nas aulas, faz perguntas, mostra as figuras, os bichinhos, reconhece os nomes. Agora, com a integração da Libras, a mãe dela ficou mais tranquila, pois agora que ela entende o conteúdo, faz todo sentido. Faço esse trabalho com todo carinho e me sinto grata em receber esse reconhecimento da Jéssica, em poder entender, de fato, o que se passa com a filha no ambiente escolar. Isso, não tem preço”, afirma Luciana.

A professora também faz o acompanhamento de um aluno autista, o Brayan do berçário. “Por conta da pandemia, ainda não tivemos a oportunidade de nos conhecermos presencialmente, apenas pela telinha mesmo e as atividades que a mãe dele, a Maria Eduarda, tem feito. Com o lockdown, além da mãe, tivemos o contato com o pai e a avó do Brayan que presta atenção em todas as atividades, viu a apresentação dos animais selvagens e domésticos e ficou super concentrado”, complementa a professora, destacando a importância desse diagnóstico precoce para o encaminhamento dos alunos.