< Back

Empresária fala sobre impacto negativo da alta do diesel na cadeia de distribuição

O preço do combustível teve aumento de 9% sobre o preço médio atual

Image-empty-state_edited_edited_edited.p

Foto: ARQUIVO PESSOAL - Empresária lamenta impacto negativo que reajustes causam ao consumidor

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local
Publicado em 10/11/2021

O preço do diesel teve aumento de 9% sobre o preço médio atual, de R$ 3,06. Desde o dia 26 de outubro o combustível está sendo comercializado por R$ 3,34 nas refinarias da Petrobras. O órgão calcula que o impacto para o consumidor final é um aumento de R$ 0,24.

A Petrobras justificou que os reajustes no preço garantem que o mercado “siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento.”

Em entrevista ao Jornal O Regional, a empresária Vivian Siqueira, gestora de negócios na unidade parceira da RTE Rodonaves Transportes de Catanduva, falou sobre o impacto negativo que o novo reajuste causa ao consumidor.

“É uma situação complicada, porque às vezes a falta de informação gera um questionamento conturbado. Na verdade, o aumento do diesel tem responsabilidade dos dois governos, tanto estadual quanto federal. A partir do momento que existe esse reajuste contínuo durante o ano, vamos vendo nossa economia com índice de inflação absurdo. Isso vai desencadeando “n” consequências", afirma.

E acrescenta que "existem coisas que pensamos ‘se acabar o mundo para’, se você for pensar, existem algumas alternativas, outras não. Quando a gente fala de greve dos caminhoneiros, não estou falando que sou a favor ou contra o movimento, porém, quando se tem a greve dos caminhoneiros a economia para. Não adianta o comércio local continuar vendendo sem reabastecimento. O reabastecimento só acontece pelo transporte rodoviário”.

Vivian explica que, apesar do custo do transporte ferroviário ser acessível, o prazo é extenso. “O custo do transporte ferroviário é muito baixo, porém, a logística e a duração, o prazo para o transporte é muito longo. Não dá pra gente pensar em fazer uma movimentação da economia com transporte ferroviário, então, entram em ação os caminhões. É uma cadeia", frisa.

Segundo ela, "a partir do momento que tem o reajuste do diesel, o primeiro impactado é a transportadora, porque se vem aumento de diesel, consequentemente vem o aumento no pedágio e, isso, querendo ou não é a composição para tabela de frete. Sabemos que muitas transportadoras não trabalham com frete mínimo, isso na verdade é um déficit porque você tem que ter um mínimo para se trabalhar porque caso contrário a conta não fecha. Mesmo você tendo uma tabela de frete padrão, uma tabela de frete mínimo hoje em dia, a conta não fecha porque tudo está absurdamente caro.”

A empresária conta que o custo teve aumento de R$ 7 mil após os novos reajustes. “A minha empresa e do meu esposo roda o mesmo quilômetro mensal, a alteração é mínima tanto para cima, quanto para baixo. A escala e proporção é exatamente a mesma. Há dois anos, antes da pandemia, rodávamos a mesma margem de quilômetros atendendo Catanduva e mais 15 cidades da região e a mesma quantidade de quilômetros eu tinha custo de R$ 14 mil. Após o desequilíbrio na economia, hoje a nossa fatura com os mesmos quilômetros e, às vezes, tentando enxugar rota vem a R$ 21 mil. Praticamente R$ 7 mil a mais, é muito significativo.”

Ela opina que o desequilíbrio da economia é uma disputa política. “O que mais entristece é ver que esse aumento do diesel não é para recompor a economia e preço. Isso é mais uma vez nós brasileiros, cidadãos de bem, sendo punidos por essa grande guerra fria econômica, por disputa de poder, disputa de provar que ‘aquela autoridade, chefe de estado’, tem capacidade ou não. Não estou entrando em méritos jurídicos, porém, eu acredito que se todo mundo for bem, o país vai pra frente", analisa.

Conforme a empresária, "o que mais me dói e é inadmissível é ver um país de tanta riqueza, frutos, que poderia ser uma potência mundial porque é, sendo burlada pelos seus governos que regem essa pátria. Querendo ou não nós, eu, Vivian, faço parte dessas pessoas, porque quando existe uma movimentação, uma manifestação pacífica para expor os direitos, não são todos que vão para rua, damos a cara a tapa, porém, para enfrentar sete dias de Carnaval, qualquer outro tipo de evento temos disposição, mas para lutar pelos nossos direitos não temos. Isso tem que mudar, desde o papelzinho que é jogado para fora do carro, desde a falta de respeito por quem cuida e zela pela nossa cidade e até patentes superiores".

E finaliza que "mais uma vez nós estamos pagando a conta de outros, muitos, que por necessidade de mostrar esse cabo de guerra político, nós estamos pagando o preço e não adianta, isso interfere totalmente na economia porque vem o aumento do diesel, tem a revisão do frete, a mercadoria chega mais cara, o reajuste da venda é mais caro. Nós cidadãos somos raízes de uma árvore, se não rever os princípios e valores, a raiz da árvore pode secar e a árvore cai.”