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Disparada do combustível quase inviabiliza atividade para motoristas de aplicativos

Sem repassar valores aos clientes, condutores amargam prejuízos

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Foto: DIVULGAÇÃO - Além da alta do combustível, motoristas enfrentam redução da demanda

Da Reportagem Local

De fevereiro de 2020 até hoje, o preço do combustível seguiu uma escalada. Segundo dados de 15 a 21 de agosto reunidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina nas bombas já está na faixa dos R$ 6. Em algumas localidades, o litro já é comercializado a R$ 7,18.

A disparada de cerca de 30% em 2021 seria, segundo a ANP, reflexo da recuperação da cotação do petróleo e do dólar caro.

O cenário quase tem inviabilizado a atuação dos motoristas de aplicativos, já que o valor da corrida não acompanhou a alta do combustível.

“A gente não conseguiu repassar o aumento para os clientes, estamos com os mesmos preços que desde o início da pandemia, e estamos cada vez ganhando menos. Vai chegar uma hora que os motoristas vão parar”, alerta Ademir Pedroso, que atua em Catanduva.

Segundo ele, sem ganhar o suficiente, é preciso sacrificar a manutenção dos veículos ou eventual reserva financeira. “Antigamente a gente conseguia levar um pouco mais de dinheiro para casa, tinha dinheiro para fazer a manutenção dos carros. Devido a esses aumentos, a gente está tendo que tirar de alguma reserva que tínhamos pra fazer a manutenção.”

Em entrevista ao Jornal O Regional, o motorista Cristiano Valentino também reclamou da situação e estimou que o gasto com combustível chega a R$ 100 para apenas meio dia de trabalho. “Hoje em dia a gente vai abastecendo de pouquinho e pouquinho”, lamenta.

Nos cálculos da dupla, ao atender um chamado de 5 km pra ida e volta ao preço calculado pelo aplicativo na faixa de 7 reais, serão necessárias 12 corridas para equilibrar os 100 reais. “Antes com 100 reais eu fazia cerca de 20 corridas. Pior que a demanda ainda caiu devido à pandemia.”