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Conselho LGBT denuncia bar à Coordenação Estadual de Políticas para a Diversidade Sexual

Duas jovens teriam tido pedido cancelado depois de trocarem selinho no estabelecimento

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Foto: GOVERNO DE SÃO PAULO - Denúncia será direcionada à Coordenação Estadual de Políticas para a Diversidade Sexual, órgão da Secretaria da Justiça e Cidadania

Guilherme Gandini
Editor-Chefe
Publicado em 07/12/2021

O proprietário de um estabelecimento comercial na av. Com. Antonio Stocco teria cancelado o pedido de duas catanduvenses depois que elas trocaram selinho, na noite de sábado, 4. A denúncia feita pelas jovens desencadeou uma série de protestos nas redes sociais e em frente ao bar, na noite de domingo, 5. O Conselho Municipal dos Direitos LGBTs prometeu denunciar o caso à Coordenação Estadual de Políticas para a Diversidade Sexual, cobrando punições.

De acordo com a vice-presidente do conselho, Letícia Monteiro Martins, o objetivo é cobrar a aplicação da lei estadual nº 10.948/01, que dispõe sobre penalidades a serem aplicadas à prática de discriminação em razão da orientação sexual. A norma prevê como punições advertência, multas, suspensão da licença estadual para funcionamento e até cassação.

Em vídeo nas redes sociais, Beatriz Péulopi, que integra uma banda local, detalhou o ocorrido. “Ela (a namorada) pegou e me deu um selinho. Ele (o proprietário) deu um sinal, tipo assim, na “boca não”. Eu fiz assim (sinal que), não entendi. Ele falou: beijo na boca não. Eu virei e dei um beijo no rosto dela. Ele falou: vou cancelar seu pedido”, contou sobre a ameaça inicial.

A jovem afirmou que, ao acreditar que eele estivesse brincando, respondeu com “vai lá, vamos ver” e, para sua surpresa, ele realmente fez o cancelamento. “O barman ficou sem entender nada, o cara que estava atendendo a gente foi perguntar: é pra cancelar mesmo? Sim, é pra cancelar, não é pra entregar o pedido delas. Elas não vão pedir.”

Beatriz afirmou que elas nunca tinham passado por situação semelhante e que não sabiam como agir. “A gente levantou e foi embora, com essa mesma tristeza”, declarou no vídeo, já com os olhos marejados.

Em nota, o estabelecimento pediu desculpas. “Nosso bar sempre teve um enorme público LGBTQIA+ e nunca tivemos nenhum problema, muito pelo contrário, procuramos acolher a todos. O caso de ontem foi um infeliz acontecido que, sem a intenção, acabou por ofender toda uma comunidade que merece extremo respeito. Não existem desculpas a serem dadas, pessoas foram ofendidas e, sim, isso é crime. Não vamos nos silenciar porque o pedido de desculpas é o mínimo. A todos que foram afetados, nossas sinceras desculpas”.

Ao Jornal O Regional, o proprietário envolvido no episódio, Edsson Giácomo, reafirmou que nunca destratou ninguém e que não é homofóbico. “Um ato isolado que lamentavelmente aconteceu... fui cobrado por outras pessoas uma postura e acabei me levando pela emoção, enfim, nada justifica, mas aconteceu, não tem como voltar atrás e sim não deixar acontecer novamente.”

REPÚDIO

O Conselho Municipal dos Direitos LGBTs divulgou nota de repúdio sobre os fatos e manifestou preocupação com o risco que a população LGBTQIA+ corre diante de posturas discriminatórias. “O noticiado constrangimento sofrido por um casal homossexual dentro do citado estabelecimento comercial é grave e lamentável”, afirmou.

O texto fala, ainda, sobre a busca por igualdade. “A construção de uma sociedade igualitária, livre de qualquer forma de discriminação, é um exercício de cidadania que será perseguido com afinco e celeridade. Não mediremos esforços no amparo às vítimas, denuncia nós órgãos competentes e garantia que os agressores sejam punidos nos rigores da lei.”