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Com aumento da Selic e mudanças na economia, investidor retorna à renda fixa

Economista explica atual cenário e opina sobre melhores caminhos para investir

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Foto: DIVULGAÇÃO - Economista afirma que títulos públicos são grande porta de rentabilidade

Da Reportagem Local

O Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa básica de juros, Selic, para 5,25% no último dia 4. Isso significa que nos próximos meses, com a tendência de alta, os brasileiros sentirão um maior impacto em diversas áreas, como no crédito, no consumo e nos investimentos. A expectativa é de que a taxa básica de juros suba para 7% ao ano até o final de 2021, segundo o último relatório Focus, um documento semanal emitido pelo Banco Central do Brasil.

Segundo o economista Douglas Duek, CEO da Quist Investimentos, que também é especialista em recuperação judicial, o aumento da Selic também reflete a pressão econômica pela qual passa o Brasil.

“Com a crise, presenciamos a escalada da inflação e esse aumento da taxa básica desestimula o consumo e, neste sentido, ajuda a corrigir a alta dos preços, vista principalmente durante esse período de pandemia”, explica.

Todos esses acontecimentos, no entanto, modificam também o comportamento daqueles que costumam investir.

Douglas explica que, no escopo do investidor mais conservador, a renda fixa sempre foi um caminho importante e diz que “ao longo de 2020, presenciamos um recorde de valorização da bolsa, resultado direto de uma mudança de rota.

Com a alta atual, eles retornam aos papéis de renda fixa, aproveitando o momento de quebra da tendência de baixa da Selic, que vem desde 2016”.

Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional, no primeiro semestre de 2021, 2,3 milhões de investidores entraram no Tesouro Direto. O economista ressalta que isso se deve também às previsões anteriores de aumento, que já criavam expectativas de bons resultados no mercado, antes mesmo da elevação de 1 p.p. deste mês.

Ainda que seja uma das modalidades mais procuradas, principalmente quando se fala em títulos como Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, Duek alerta para uma dica: nos casos de investimentos a curto prazo, como os de até 6 meses, a poupança pode ser mais rentável que um CDB de grandes bancos, que pagam 90% do CDI.

No entanto, deve-se levar em consideração que “a inflação é o balizador, é necessário acompanhá-la sempre para não perder o valor do dinheiro. Por exemplo, com uma inflação a 8%, se você tiver poupança a 2% ou Selic a 5%, perderá dinheiro mensalmente”, afirma.

OPORTUNIDADES

Títulos públicos, neste momento, são uma grande porta de rentabilidade, afirma Duek. Em face ao maior aumento da Selic desde o início da pandemia, o CEO indica a compra tanto de títulos prefixados, como pós-fixados, principalmente atrelados à inflação. Segundo ele, os prêmios desses títulos estão elevados, principalmente aqueles de longo prazo.

Se o investidor tiver fôlego para passar pelas oscilações, também pode arriscar os prefixados e prazos mais curtos. O especialista também faz um alerta sobre outras formas de investir: “Selic ainda está abaixo da inflação, o interessante é tentar diversificar entre Selic e IPCA”, finaliza.