< Back

Caso Francieli: faxineira e aposentado trocam acusações sobre caso de agressão

Polícia Civil de Catanduva abriu inquérito para investigar o caso

Image-empty-state_edited_edited_edited.p

Foto: Reprodução - Vídeo em que o idoso arremessa líquido na jovem viralizou na internet

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

O caso envolvendo a faxineira Francieli Correa Froelich, que acusa o ex-patrão de tê-la agredido e lançado contra ela um produto ácido, ganhou repercussão nacional e novo capítulo com troca de acusações nesta quinta-feira (22). A suposta agressão teria ocorrido na segunda-feira, dia 19, na Vila Maria Jorge, em Catanduva.

De acordo com boletim de ocorrência registrado pelo marido de Francieli, ela trabalhava há 3 anos para Luiz Sergio e, um dia antes dos fatos, eles teriam discutido por conta de ela ter derrubado um produto de limpeza. Ela teria sido dispensada na sequência.

Segundo o declarante, Luiz teria ligado no celular de Francieli e a ameaçado, dizendo que sabia que o filho de 11 anos do casal ficava sozinho em casa. Foi quando a faxineira decidiu ir até a casa do ex-patrão tirar satisfações.

Na cena filmada por uma amiga de Francieli e que viralizou nas redes sociais, é possível ver o idoso saindo de sua residência trazendo nas mãos um pedaço de pau e um frasco. Ela também segurava uma barra de ferro. Ele joga o líquido no rosto da jovem, apontado como ácido. Depois de ter ajuda de vizinhos, ela procurou por atendimento médico.

Em um segundo vídeo que também circulou pelas redes sociais, nesta quinta-feira (22), o idoso é jogado ao chão por outro homem não identificado e a jovem desfere dois chutes. O material compõe provas da defesa do acusado. O caso será investigado pela Polícia Civil. O delegado responsável não quis gravar entrevista.

“TINHA ELE COMO PAI”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Regional, Francieli disse que depois da discussão por causa do produto de limpeza derramado, ela se afastou do trabalho por uma semana. “Eu tinha ele como um pai. Sempre deixei bem claro isso que o meu sentimento era de pai”, confidenciou.

Ela teria ligado ao ex-patrão para pedir o desligamento, quando as discussões se ampliaram e, segundo ela, surgiram ameaças. “Ele falou - vou mexer no que mais te dói, que é o meu filho. Ele falou que sabia a hora que ele ficava sozinho, que as minhas janelas não trancam, que ele podia vir aqui pegar meu filho, falar que eu que mandei, levar meu filho, abusar do meu filho, matar meu filho ou dar fim no meu filho. Fui até lá para causar um susto para que ele parasse.”

Segundo ela, a ação do aposentado teria sido premeditada. “Ele já saiu com um pau e o líquido na mão. No vídeo dá pra ver que ele não deixa eu acabar de falar. Ele já arremessa o ácido, soda e formol. Fui até a casa de uma vizinha para lavar meu olho que queimava muito. Nessa hora ele entra na casa dele, pega uma tesoura para me furar e cortar o meu cabelo. O senhor da casa que me cedeu a água pega ele pelo braço, joga ele ao chão, e eu fico muito irada e chuto ele”.

POSSÍVEL REVIRAVOLTA

O advogado Marcus Vinícius Vieira, que representa o suposto agressor, afirmou que a ameaça ao filho de Francieli não é real. Ele garante que seu cliente não é agressor, mas vítima. “O motivo real nós temos em áudio e está sendo levado à polícia, juntado ao inquérito, temos outros vídeos que não foram veiculados, mostrando ela batendo muito nele. Se caso assim tivesse ocorrido, o procedimento correto teria fazer um boletim de ocorrência pela ameaça, mas não, ela pegou uma barra de ferro, foi até a casa de um senhor de 71 anos, que por si só não tinha condições de se defender, que também é portador de câncer e está na 38ª sessão de radioterapia. O que ele tinha na mão naquele momento, ela indo lá ameaçando os familiares nesses áudios, e depois, aconteceram alguns fatos, de ele jogar aquele produto de limpeza, que não era um ácido.”

O fato motivador, segundo o advogado, está relacionado à religião e há gravações comprobatórias. “Ela é evangélica, não estava bem espiritual e emocionalmente, e ele na tentativa de ajudar, teria levado o nome dela numa Casa Espírita. Isso deixou ela enlouquecida. Ela confundiu a Casa Espírita com um terreiro de umbanda ou macumba, entre aspas, com todo o respeito por qualquer religião, pois vivemos em um Estado Laico. O que ocorreu não foi só o que foi veiculado, a motivação não é essa que ela apresentou. Ela, com uma atitude violenta como foi, pegou uma amiga para filmar o que lhe interessava, foi até a casa dele para tirar satisfações que antes tinha ameaçado via fone. Isso tudo está sendo juntado no inquérito policial e vai ser esclarecido.”